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21/09/2009 - 10h08

Crise pode prejudicar democratização da África, diz OCDE

Lisboa, 21 set (Lusa) - A deterioração da economia global pode prejudicar alguns dos progressos alcançados no continente em termos de democratização, indica um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD).

Na edição de 2008/09 das Perspectivas Econômicas na África, as organizações apontam "uma desaceleração recente dos progressos na democratização", afirmando que a deterioração econômica pode prejudicar alguns dos avanços que foram registrados no regime democrático e na governabilidade.

A OCDE e o BAfD defendem que existe ainda um longo caminho para que se crie um ambiente que permita o desenvolvimento do setor privado, destacando a especial importância da reduzir a corrupção nestes países para que tal aconteça.

Além disso, as dificuldades da economia global em função da crise atingiram com força o continente. Estimativas para o crescimento econômico na África para 2009 a situarem-se agora nos 2,8%, menos de metade dos 5,7 % estimados para 2008.

O crescimento para a economia do continente em 2010 estimado pelas organizações é de 4,5%.

Tal como na edição anterior, os progressos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram atualizados, mas as entidades continuam a apontar o mesmo diagnóstico: "apenas alguns países conseguirão atingir a meta de redução em 50% da população que viveram com menos de um dólar por dia em 2015".

Inflação

A OCDE e o BAfD afirmam também que a inflação nos preços dos alimentos nos primeiros nove meses do ano passado está afetando a estabilidade macroeconômica nos países africanos e que esta "ainda pode ser mais atingida pela degradação das condições econômicas".

A inflação nos países africanos ultrapassou os dois dígitos em 2008, situando-se nos 13,5% nos países importadores de petróleo (contra 7,9% em 2007) e nos 10% nos países exportadores (também nos 7,9 % em 2007).

No caso dos países exportadores de petróleo, a inflação atingiu os 10%, devido à subida dos preços das importações e às dificuldades em cumprir as exigências dos compradores perante o grande crescimento da demanda interna.

O relatório deixa ainda alguns alertas para a economia dos países africanos, referindo que as políticas macroeconômicas só poderão ajudar a retomar o crescimento se forem acompanhadas de suficientes investimentos públicos que as complementem.

Os aportes estatais devem ser dirigidos às infra-estruturas físicas, serviços básicos, competências e educação.

As restrições nos recursos públicos de cada país devem-se, segundo o estudo, à implementação de políticas orçamentais num contexto de forte endividamento, interno e externo, de significativos fluxos de Ajuda Pública ao desenvolvimento.
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