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23/09/2009 - 14h50

África está mais atrativa para investidores, diz entidade

Cidade da Praia, 23 set (Lusa) - O investimento na África é agora mais atrativo para as empresas do que antes da crise econômica, afirmou nesta quarta-feira a diretora-geral para Iniciativas do Setor Privado do Millennium Challenge Corporation (MCC), com sede em Washington, nos Estados Unidos.

Em entrevista divulgada pela embaixada dos Estados Unidos em Cabo Verde, Jensen destaca que, do ponto de vista do setor privado, o continente é "a próxima fronteira natural" para investimentos e parcerias entre empresários e doadores, permitindo "criar situações com benefícios mútuos", pois "partilham o risco do investimento".

Jensen lembrou as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), que indicam que o crescimento econômico da África seja de 3,4% neste ano, "o que é superior ao de muitas outras regiões do mundo que foram duramente atingidas pela crise financeira mundial".

Lembrando o montante de US$ 6,44 bilhões disponibilizado a 18 países (entre eles Cabo Verde e Moçambique) para concursos públicos nos próximos 18 meses a dois anos, Jensen sustentou que algumas empresas norte-americanas têm preferido fazer parcerias com um doador na África, porque se torna "mais atrativo agora do que antes da crise".

"Há uma demanda muito mais reduzida na Europa e nos Estados Unidos, mas há também o desejo de mais empresas visionárias entrarem no terreno na África com investimentos a longo prazo", acrescentou a responsável do MCC, organização que, em Cabo Verde, conta com o Millennium Challenge Account (MCA).

Seguindo a linha dos discursos oficiais norte-americanos, Jensen disse que a democracia é "essencial" para o crescimento dos negócios e do comércio na África, sendo Cabo Verde um dos parceiros cujo desempenho tem agradado aos diretores do MCC.

As palavras de Jensen surgem poucos dias antes da cúpula empresarial Estados Unidos/África, que reunirá, de 29 deste mês a 1º de outubro, em Washington, empresários e líderes africanos. Na reunião será pedido às empresas norte-americanas para investirem no continente africano.

Co-participado pelo MCC e pelo Corporate Council on Africa (que representa os interesses do setor privado nos Estados Unidos), o encontro realiza-se a cada dois anos, reúne líderes de governos africanos, incluindo 10 chefes de Estado, com empresários que estão interessados em iniciar ou expandir os seus investimentos.

Para muitos investidores norte-americanos, declarou Jensen, "África é um território inexplorado", pelo que o MCC quer diversificar as exportações africanas para os Estados Unidos, pois a maior parte delas são produtos petrolíferos.

No seu entender, os países que participam atualmente em programas do MCC "já são parceiros ideais de investimento", porque a participação exige que seja satisfeita uma série de critérios, como boa governabilidade, transparência, boa justiça, reformas econômicas e investimentos nas áreas sociais.

O MCC, concluiu Jensen, quer aproveitar a cúpula para aumentar os conhecimentos do setor privado norte-americano sobre os programas da organização, "um parceiro natural para o setor privado em África", uma vez que surgem "novas oportunidades" que podem ser canalizadas através do MCC.
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