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24/09/2009 - 14h24

Cabo Verde vê forte comprometimento dos EUA com África

Cidade da Praia, 24 set (Lusa) - Os Estados Unidos têm um "forte compromisso" com o desenvolvimento da África, mas também uma "grande abertura e disponibilidade" para estabelecer parcerias com Cabo Verde, afirmou nesta quinta-feira o primeiro-ministro cabo-verdiano.

José Maria Neves discursava em função da viagem feita na terça-feira aos Estados Unidos, a convite do presidente Barack Obama, para, em conjunto com outros líderes da África, analisar e perspectivar o futuro das relações entre o governo norte-americano e os países africanos a sul do Saara.

"Há um forte comprometimento dos Estados Unidos para com África, sobretudo na agricultura e segurança alimentar e no desenvolvimento do capital de recursos humanos e nas áreas sociais e nas questões energéticas e ambientais", disse o chefe do Executivo da Cidade da Praia, destacando a "coincidência de pontos de vista" com Cabo Verde.

É nesse sentido, acrescentou, que o arquipélago africano se insere na política de parcerias que o governo Obama quer desenvolver na África, tendo sido essa a mensagem que Neves passou, numa intervenção feita durante um almoço de cerca de duas horas, em que participaram outros 25 chefes de Estado e de Governo africanos.

"Queremos apostar forte nas parcerias para o desenvolvimento, nomeadamente nas áreas do ambiente e das mudanças climáticas e, sobretudo, nas energias renováveis", afirmou José Maria Neves.

"Atualmente, há um bom momento e boas relações entre os Estados Unidos, de um lado, e África e Cabo Verde, por outro, e isso vai traduzir-se em parcerias futuras, o que vem ao encontro das necessidades dos africanos, que devem ser os primeiros e únicos responsáveis pelas vitórias e pelos fracassos de governos", defendeu.

No almoço, onde as conversas foram "afetivas, informais e abertas", Neves disse ter defendido que Cabo Verde está promovendo a criação de empregos e de empreendedorismo, razão pela qual a aposta na educação, em todos os níveis de ensino, começa a dar os seus frutos, com a especialização de quadros.

Mas, segundo o premiê cabo-verdiano, Obama disse que para que as parcerias sejam concretas, é necessário o cumprimento de várias condições, como a boa governabilidade, respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e diálogo na gestão de conflitos.

"Alguns países (africanos) não cumprem esses requisitos e daí a ausência de representantes do Zimbábue, Sudão, Guiné-Conacri e Quênia, entre outros", afirmou o governante cabo-verdiano, adiantando que o presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, e o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, também estiveram presentes no almoço, mas não fizeram intervenções.

Neves disse ainda ter falado com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, igualmente presente no almoço, que lhe garantiu que, em breve, regressará a Cabo Verde, onde esteve em visita de trabalho em meados de agosto, "para passar uns dias de férias com o marido".
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