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24/09/2009 - 17h03

Greve de pilotos da TAP causa cancelamento de 172 voos

Lisboa, 24 Set (Lusa) - O presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil de Portugal (SPAC), Hélder Silva, informou nesta quinta-feira que 172 voos da TAP foram cancelados durante o primeiro dia de greve, o que significa uma adesão de 98%.

Durante coletiva de imprensa na qual fez um balanço da paralisação, o presidente do sindicato anunciou que apenas seis voos foram realizados, enquanto 172 foram cancelados.

Hélder Silva explicou ainda que foram fretados 16 voos a outras companhias aéreas, dos quais oito foram realizados até o momento.

Em uma primeira análise da paralisação, a TAP, que não divulgou o número de voos cancelados, afirmou ter transportado, até o meio-dia, dez mil dos 12 mil passageiros previstos.

Segundo o presidente do sindicato, a companhia aérea tem assumido uma "postura inflexível" nas negociações. Ele garantiu também que os pilotos não vão "desistir de lutar" para que a administração leve em conta as reivindicações da categoria, entre elas a "reposição daquilo que concederam durante dez anos".

O líder sindical defende que um aumento salarial de 9% é um valor "próximo da realidade".

"O que os pilotos pretendem é que ao invés de ser a administração a ser novamente premiada, que esta tenha o bom senso para repor parcialmente o poder aquisitivo dos pilotos", disse o presidente do SPAC.

A TAP alega que atender às reivindicações dos "800 pilotos" da companhia exigirá "um aumento de encargos de 11,5 milhões de euros", o que significa um acréscimo de 1.026 euros no salário de cada piloto.

O sindicato, porém, contesta estes valores e diz que "o que está em causa é um aumento de 9,3% da massa salarial bruta, cuja média dará, em termos brutos, 600 euros".

Na coletiva, o líder sindical criticou a administração da TAP, liderada por Fernando Pinto.

"Para o SPAC, a TAP é uma empresa viável, mas que precisa ser bem gerida, o que significa que não podem ser apenas os trabalhadores a fazer concessões quando são evidentes demais os erros cometidos pela atual gestão", disse.

Hélder Silva disse ainda que considera estranho que a administração da TAP prefira assumir os custos da greve no lugar de aceitar que é a grande responsável pelo ambiente de "contestação interna" que se vive atualmente na companhia.

Para ele, "sairia mais barato à empresa reconhecer o esforço feito pelos pilotos e adotar uma postura construtiva nas negociações".

A TAP calcula que os dois dias de paralisação custarão 10 milhões de euros aos cofres da companhia, que fechou o primeiro semestre com perdas de 72,4 milhões de euros.

Sobre o fato de a greve ocorrer faltando poucos dias para as eleições legislativas de domingo, Hélder Silva reafirmou que se trata de um "conflito empresarial e independente de quaisquer questões político-partidárias".

A greve dos pilotos da TAP termina à meia-noite desta sexta.
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