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29/09/2009 - 14h55

Usina de Angra 3 entra em operação em maio de 2015

Rio de Janeiro, 29 set (Lusa) - A central nuclear brasileira Angra 3 entrará em operação em maio de 2015, informou nesta terça-feira a Eletronuclear, empresa estatal que opera a central nuclear em Angra.

O assistente da presidência da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, confirmou também que o programa nuclear brasileiro contará com duas novas centrais nucleares até 2030.

"Angra 3 já é uma realidade e espera-se terminar os trabalhos de preparação do terreno para iniciar efetivamente o marco zero da construção" em 1º de dezembro, afirmou.

As declarações de Guimarães foram feitas paralelamente ao maior evento nuclear da América Latina, a International Nuclear Atlantic Conference (Inac 2009), promovido pela Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN) que acontece nesta semana no Rio de Janeiro.

Até dezembro deste ano, o representante da Electrocnuclear afirmou que será concluída a etapa de preparação do estaleiro de obras e as contratações estão programadas para o início de 2010. A previsão é gerar nove mil empregos diretos e outros 15 mil indiretos na respectiva construção.

As etapas de licenciamento necessárias ao início das obras da central de Angra 3 foram concluídas no princípio do ano. Em julho, o projeto recebeu autorização definitiva das autoridades. A unidade de 1.400 megawatts terá um investimento de 2009 até 2015 da ordem de R$ 8,5 bilhões.

Projeto nuclear

Apesar de o programa nuclear ter estado paralisado por muitos anos, a energia eletronuclear tem um papel complementar do sistema de geração de energia elétrica no Brasil. Em 2007, esta foi a segunda maior fonte de energia no sistema nacional. No ano seguinte, ficou em terceiro lugar, sendo superada pela geração de energia proveniente do gás natural.

"A energia nuclear é mais barata e o seu papel no Brasil é de complementação", diz Guimarães, justificando que o sistema elétrico brasileiro é interligado mesmo tendo dimensões continentais.

"A fonte principal é a hídrica que representa quase 90%. Ela é limpa, barata e renovável, não existe sistema elétrico equivalente no mundo com uma fonte limpa e barata igual à do Brasil".

Apesar disso, a fragilidade da hidreletricidade está relacionada com a dependência do regime de chuvas e da sazonalidade da natureza.

Para compor a matriz energética até 2030 e atender a expansão de oferta de energia, será necessário reunir todas as fontes necessárias. E é neste sentido que o planejamento energético no Brasil prevê a construção de duas novas centrais nucleares nas regiões Nordeste e Sudeste.

Uma central integra várias unidades, e no projeto está prevista a construção de até seis unidades por central. No Nordeste, inicialmente, serão construídas duas unidades com capacidade de mil megawatts cada.

Atualmente, existem estudos para seleção do local da futura central nuclear com a previsão de entrar em funcionamento em 2019 a primeira e em 2021 a segunda. Além disso, está previsto que outras duas centrais sejam construídas no Sudeste entre 2023 e 2025. Os estudos para seleção do local serão iniciados em 2010.

Se Angra 3 já estivesse em operação, o Brasil não teria necessidade de ser forçado a triplicar o consumo de gás natural no ano passado, afirmou Guimarães.

O complexo das centrais de Angra está situado a 130 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, uma localização estratégica próxima dos dois maiores centros de consumo, Rio e São Paulo.
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