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30/09/2009 - 08h46

Desemprego alemão cai, mas analistas antecipam nova alta

Berlim, 30 set (Lusa) - O desemprego na Alemanha desceu em setembro para 3,35 milhões, menos 125.000 do que no mês anterior, e a cota de desemprego passou, no mesmo período, de 8,3% para 8%, foi anunciado nesta quarta-feira.

Em relação há um ano atrás, continuam, no entanto, registrando-se mais 266.000 pessoas desempregadas, segundo a Agência Federal do Trabalho (BA), em Nurembergue.

Há um ano, imediatamente antes de eclodir a atual crise econômica e financeira internacional, a cota de desemprego na Alemanha era de 7,4%.

"A reanimação ocorrida no outono no mercado de trabalho fez recuar claramente o desemprego em setembro", disse hoje, em Nurembergue, o presidente da BA, Frank-Juergen Weise, ao apresentar os novos dados.

No entanto, "não se trata de uma viragem, o impacto da crise econômica continua a fazer-se sentir", acrescentou o mesmo responsável.

Os resultados de setembro são melhores do que os analistas esperavam, apesar de, após as férias de verão, se registrar normalmente uma diminuição do desemprego na Alemanha.

A redução média do desemprego em setembro, nos últimos três anos, rondou os 140 mil postos de trabalho, segundo dados da BA.

Apesar dos números positivos, vários especialistas receiam que até o fim do ano haja uma subida do desemprego, de acordo com uma pesquisa realizada pela agência alemã DPA.

"Temos de novo um ligeiro crescimento econômico, mas isso não basta para uma retomada", destacou Philipp Jaeger, analista do DZ-Bank.

Para Stephan Bielmeier, do gabinete de estudos econômicos do Deutsche Bank, o desemprego também voltará a subir nos próximos meses, porque "muitas firmas estão com produção reduzida, e terão forçosamente de reduzir pessoal".

Segundo Rolf Schneider, analista da seguradora Allianz, o desemprego na Alemanha poderá subir até 3,7 milhões ainda em 2009, e atingir a marca dos quatro milhões em fevereiro ou março de 2010, sobretudo quando terminarem os prazos de subsídios estatais ao trabalho parcial.

Atualmente, há na Alemanha cerca de 1,5 milhões de trabalhadores em regime de trabalho parcial, o que implicará uma despesa adicional para o Estado de 14 bilhões de euros, só em 2009, segundo cálculos da BA.

O fato de o Fundo Monetário Internacional (FMI) e mais recentemente o Instituto de Pesquisa Econômica de Berlim DIW terem corrigido em alta os seus prognósticos de crescimento econômico para 2010 não significa uma melhoria a curto prazo no mercado laboral, na opinião dos analistas, porque, lembram, a retomada só se reflete no mercado de trabalho cerca de seis meses depois.

Espera-se, no entanto, que o novo governo de centro-direita (democratas-cristãos e liberais) saído das legislativas de 27 de setembro tente evitar o aumento do desemprego através de incentivos fiscais, e de estímulos ao consumo.
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