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30/09/2009 - 16h33

Petrolífera Galp defende aposta lusa na América Latina

Fortaleza, 30 set (Lusa) - A internacionalização de Portugal passa uma estratégia diferenciada para outros mercados além da Europa, afirmou o chaimain da Galp, Francisco Murteira Nabo.

"Portugal precisa ter uma dupla estratégia de internacionalização, sendo uma na Europa e outra mediterrânea, para os países da América Latina, através da Espanha", disse à Lusa Francisco Murteira Nabo.

Na avaliação do empresário, com integração cultural e econômica à Europa, o país acabou por se esquecer um pouco do mercado euroatlântico, "e de que existia uma tradição, uma história, uma cultura, uma ligação".

"Há grandes comunidades portuguesas no mundo e um mercado a desenvolver", afirmou, acrescentando que Portugal é um país pequeno, "com uma economia tecnologicamente pouco avançada e onde as pessoas qualificadas estão a emigrar, e não tem grandes vantagens competitivas na Europa".

Potencial de outros mercados

A conversão da economia portuguesa de baixa qualificação e baixa tecnologia para média e alta tecnologia está ocorrendo agora, disse o empresário, mas o mercado doméstico é tão pequeno, que "dentro da Europa o país será sempre pouco competitivo".

"Portugal é competitivo nas economias de países com um desenvolvimento menor e que precisam de coisas que temos em excesso", afirmou, defendendo uma estratégia para a Europa que integre, cada vez mais, as vantagens comparativas do país, como setores de serviços e de energias renováveis, por exemplo.

"Somos um país acolhedor, com sol e mar e excelentes condições de fazer turismo de lazer e com serviços de bem-estar. Ou seja, há uma economia ligada á longevidade, onde somos competitivos na Europa, e que ainda não desenvolvemos", afirmou.

Em termos internacionais, o charmain da Galp, que esteve no início desta semana em Fortaleza, para o Encontro de Negócios na Língua Portuguesa, apontou para duas componentes: os países de língua portuguesa e uma maior integração com a Espanha, "de forma a aproveitar as potencialidades dos mercados latino-americanos".

"Há dentro da Europa, um espaço mediterrâneo que inclui a Espanha, Portugal, Itália, França e países como Argélia, Marrocos e Tunísia, que permite a maior integração na economia espanhola", observou, ao acrescentar que, paralelamente à CPLP, a iniciativa abriria uma oportunidade de desenvolvimento latino-americano.

Murteira Nabo defendeu Portugal integrado na Europa, a uma sub-região européia, representada pela mediterrânea, "cuja grande diferença é a integração da economia portuguesa com a espanhola", de forma que potencialize "alguma coisa semelhante à CPLP no mundo latino-americana".

Conforme o empresário, já existe um entrosamento muito grande com o Brasil e países de língua latina e espanhola, portanto, há condições para uma maior integração. "É nessas zonas do mundo que Portugal tem vantagens competitivas", ressaltou.
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