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01/10/2009 - 08h39

FMI prevê retomada lenta para a economia mundial

Lisboa, 1° out (Lusa) - A economia mundial já está se recuperando da recessão mas a retomada será lenta, considerou o Fundo Monetário Internacional (FMI), projetando um crescimento de 3,1% em 2010 e uma estabilização nos 4% até 2014.

No 'World Economic Outlook' divulgado nesta quinta-feira, a organização afirma que já existe recuperação da economia global mas que esta será lenta, uma vez que os sistemas financeiros continuam com dificuldades, que os apoios públicos terão de ser retirados e que as famílias continuam a aumentar o volume das suas poupanças.

O FMI diz que o ritmo da recuperação "permanece lento e a atividade mantém-se em níveis muito inferiores aos anteriores à crise".

A projeção para o crescimento econômico a nível global foi revista em alta, esperando-se agora uma contração de 1,1% em 2009 (o que representa uma melhoria de 0,3% em relação às estimativas anteriores) e um crescimento de 3,1% em 2010 (melhoria de 0,6%).

O crescimento da economia global deverá, no entanto, estabilizar nos 4% até 2014, projetando-se ainda que este período seja marcado por um aumento do desemprego e pela continuação dos constrangimentos no mercado do crédito.

Entre os principais pontos que estão suportando esta recuperação, o FMI destaca os vários apoios públicos às economias, que estimularam a procura e reduziram a incerteza e o risco sistêmico nos mercados financeiros.

"As medidas públicas conseguiram com sucesso melhorar a confiança, a procura e as condições financeiras, e isto ajudou a estabilizar a produção industrial e mesmo a aumentá-la num crescente número de países", afirma o relatório.

A recuperação será sentida em primeiro lugar nos países asiáticos, com a China e a Índia liderando a retomada, seguidas dos Estados Unidos, com o consumo recebendo um impulso devido à diminuição dos cortes nos postos de trabalho e à estabilização dos preços.

No caso da Europa, a instituição prevê que se viva um período prolongada de significativas perdas de postos de trabalho, algo que pesará na atividade econômica europeia durante grande parte de 2010.

Para 2010, o FMI projeta que o desemprego fique perto dos 12% na zona do euro, um valor que recuperará gradualmente até 2014, quando se deverá situar nos 9,5%.

Para o futuro o desafio é o mesmo apontado pela instituição ainda na semana passada, e partilhada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que consiste em retirar os apoios públicos no momento certo e numa operação concertada entre os vários países de cada bloco econômico.

Caso os governos retirem os estímulos às economias muito cedo, poderão comprometer a recuperação e provocar nova crise no sistema financeiro, mas retirá-los tarde demais pode implicar um crescimento da inflação. Certo é o crescimento nos déficits orçamentais e os níveis históricos de endividamento em alguns países.
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