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01/10/2009 - 07h50

Governo português deve manter apoios à economia em 2010

Estocolmo, 1° out (Lusa) - O ministro português das Finanças considerou nesta quinta-feira que o Estado não deverá conseguir, durante o próximo ano, terminar com as ajudas que tem dado à recuperação da economia portuguesa.

"Não antevejo que em 2010 nós possamos equacionar já uma retirada dos apoio à economia. Estes são os primeiros sinais de alguma recuperação [mas] temos de ter a certeza que este crescimento é sólido, sustentável e que se começa a refletir no mercado de trabalho" frisou Teixeira dos Santos, em declarações à Agência Lusa, à entrada para o encontro dos ministros das Finanças e da Economia da União Europeia (Ecofin).

O governante advertiu ainda para os perigos de uma "retirada precipitada" desses apoios, que poderiam fazer com que se "entrasse novamente num período da quebra de produção e de agravamento das condições do mercado de trabalho".

"Temos de ser muito prudentes e cautelosos e só quando tivermos sinais firmes e seguros que o crescimento é sustentado e que as coisas começam a melhorar no mercado de trabalho [é que] devemos tirar os apoios que estão no terreno na economia e fazê-lo de forma faseada", argumentou.

Teixeira dos Santos segue assim as recomendações das instituições internacionais, que têm frisado a importância de retirar os apoios no momento certo. Caso os governos retirem os estímulos às economias muito cedo, poderão comprometer a recuperação e provocar nova crise no sistema financeiro, mas retirá-los tarde demais pode implicar um crescimento da inflação. Certo é o crescimento nos déficits orçamentais e os níveis históricos de endividamento em alguns países.

No 'World Economic Outlook' do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado hoje, a organização afirma que já existe recuperação da economia global mas que esta será lenta, uma vez que os sistemas financeiros continuam com dificuldades, que os apoios públicos terão de ser retirados e que as famílias continuam a aumentar o volume das suas poupanças.

Para Portugal, o documento do Fundo Monetário Internacional prevê ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) real português sofra uma contração de 3% em 2009 e registre um ligeiro crescimento já no próximo ano, de 0,4%.

O FMI estima também que os preços no consumidor sofram uma retração de 0,6% em 2009, recuperando-se em 2010 para um aumento de 1%.

O FMI diz que o ritmo da recuperação da economia mundial, "permanece lento e a atividade mantém-se em níveis muito inferiores aos anteriores à crise".

A projeção para o crescimento econômico a nível global foi revista em alta, esperando-se agora uma contração de 1,1% em 2009 (o que representa uma melhoria de 0,3% em relação às estimativas anteriores) e um crescimento de 3,1% em 2010 (melhoria de 0,6%).

O crescimento da economia global deverá, no entanto, estabilizar nos 4% até 2014, projetando-se ainda que este período seja marcado por um aumento do desemprego e pela continuação dos constrangimentos no mercado do crédito.
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