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02/10/2009 - 14h49

Ministro projeta fim para distorção no câmbio angolano

Luanda, 2 out (Lusa) - O ministro angolano da Economia, Manuel Nunes Júnior, disse aos jornalistas, em Luanda, que o problema da escassez de divisas no mercado está sendo resolvido e que em breve deixará de existir.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de ser o Banco Nacional de Angola (BNA) injetando mais dinheiro, essencialmente dólares, na economia angolana, Manuel Nunes Júnior respondeu afirmativamente, destacando já ter dito isso mesmo.

A escassez de dólares norte-americanos no mercado angolano tem sido apontada pelos operadores econômicos como um dos maiores estrangulamentos à economia angolana, fruto da queda abrupta do preço do petróleo no fim de 2008, sendo que esta é a grande fonte de divisas do país.

A falta de divisas tem, nos últimos meses, feito com que as transferências bancárias para o exterior tenham sido acentuadamente reduzidas, impedindo o fluxo normal de trocas comerciais, bem como à expansão da dívida do Estado às empresas, especialmente às construtores, que chegou a US$ 2 bilhões.

Divisas

Segundo fontes bancárias contatadas pela Agência Lusa, o problema atual reside na escassa disponibilização de dólares aos bancos comerciais por parte do BNA, sendo que a média diária há poucas semanas era entre US$ 15 milhões e US$ 30 milhões quando o mercado exige muito mais, considerando alguns analistas que US$ 200 milhões é um número a considerar.

A alteração do método de disponibilização de divisas pelo BNA poderá igualmente levar a uma mudança na atual taxa fixa do câmbio do Kwanza, de 77 por dólar para uma flutuação determinada pelo mercado.

Essa alteração inclui medidas, a partir dos próximos dias, como os bancos comerciais passarem a fazer ofertas sobre os dólares disponibilizados pelo BNA, em vez de estes serem vendidos a uma taxa fixa.

Outro dado é a manutenção da oferta por parte do BNA, sem quedas, de modo a que o mercado não tenha necessidade de reter dólares com receio de que estes desapareçam. Sobre este tema, Manuel Nunes Júnior aponta para uma solução a curto prazo.

Metas

"O Governo estabeleceu para este ano dois objetivos essenciais: garantia da estabilidade macroeconômica e a redução do grau de abrandamento da taxa de crescimento do produto nacional", apontou Nunes Júnior.

"Podemos afirmar, neste momento, que estamos no caminho certo no sentido de cumprimento destes dois objetivos", adiantou o especialista, durante a cerimônia de apresentação de um estudo da consultora Deloitte sobre o setor bancário angolano.

"Com a crise, os termos de troca da economia angolana foram seriamente abalados. As receitas fiscais petrolíferas caíram acentuadamente e a quantidade de divisas ao dispor da economia diminuiu de modo significativo. O país passou a viver uma situação de relativa escassez de divisas", explicou o ministro.

Apesar disso, segundo Nunes Júnior, "o petróleo está a recuperar nos mercados e com ele o equilíbrio das contas fiscais e externas será restabelecido".

A recuperação da receita fiscal petrolífera e a normalização da atividade de concessão de crédito à economia por parte dos bancos comerciais, bem como o aumento dos níveis de intenção dos investimentos privados confirmam, disse, acrescentando que "a trajetória positiva da atividade econômica do país, principalmente no segundo semestre de 2009".
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