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03/10/2009 - 08h40

Recuperação na Europa será lenta e frágil, alerta FMI

Lisboa, 3 out (Lusa) - A recuperação econômica na Europa vai ser "lenta e frágil", prevê o Fundo Monetário Internacional, no relatório que analisa a evolução das principais economias europeias.

No Outlook sobre a Europa, o FMI afirma que "é provável que a retomada seja lenta e frágil", apontando como principais razões a quebra na procura mundial, que originou um desequilíbrio nas exportações, um dos principais motores que alimentou o crescimento destes países.

Além disso, os especialistas do FMI apontam também o "crescente desemprego e a escassez de crédito" concedido pelas instituições bancárias como razões para considerarem que a retomada será vagorosa.

Menos de uma semana depois de ter divulgado a previsão para a economia mundial, o FMI analisa mais de perto a Europa, considerando que o Velho Continente vai ficar em recessão este ano, com uma quebra de 4,7% do Produto Interno Bruto, mas recuperando em 2010, ano em que deverá crescer 0,8%.

Para Portugal, o FMI mantém a previsão conhecida na semana passada, e que mostrava uma situação mais favorável em relação aos dados de abril. Agora, o FMI prevê uma contração de 3% e um crescimento de 0,4% do PIB real no próximo ano.

O maior tombo acontece na Ucrânia, cuja economia deverá recuar 18,5% este ano e 4% no ano seguinte. No outro extremo está a Albânia, o único país cuja economia deverá crescer este ano (0,7%) e no próximo (2,2%).

A Espanha, a Irlanda, Luxemburgo, a Bulgária e a Estônia são alguns dos países que, além de estarem em recessão este ano, não vão conseguir recuperar em 2010, ano em que deverão também registrar crescimentos negativos na economia.

Para os economistas do FMI, a letra 'U' é a que melhor descreve a curva que representa a evolução da economia. "As dificuldades do setor financeiro, o investimento fraco e as longas séries de desemprego vão provavelmente atrasar o crescimento potencial da Europa durante os próximos anos, mas o alcance destes fatores é incerto", destacam os especialistas da instituição liderada por Dominique Strauss-Kahn.

Além destes fatores que desaceleram o crescimento econômico, o FMI destaca também que "a incerteza sobre a extensão da queda da economia pode levar a erros de políticas". Assim como tem sido dito nos últimos relatórios, também neste o FMI frisa que, "para manter estanques as perspectivas sobre a [subida da] inflação, os decisores da política monetária devem comunicar claramente a sua posição sobre o crescimento econômico" e sobre o que estão fazendo mediante os indicadores econômicos que vão sendo divulgados.

Já sobre as políticas orçamentais dos vários países europeus, o relatório afirma que, "por causa dos altos custos orçamentais da crise, a política orçamental só deve errar por excesso de cautela e avançar para a consolidação assim que a retoma da economia ganhar fôlego".
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