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05/10/2009 - 13h14

Portugal recusa política europeia do leite que exclui países

Bruxelas, 5 out (Lusa) - O ministro português da Agricultura, Jaime Silva, disse nesta segunda-feira em Bruxelas que é "inaceitável" haver uma política do setor do leite apenas "para sete Estados-membros", apelando à manutenção das capacidades produtivas em todas as regiões da Europa.

"A UE não pode partir do princípio de que só os mais competitivos é que ficam", disse Jaime Silva, à saída de uma reunião extraordinária do conselho de ministros da Agricultura dos 27 dedicada à crise do setor do leite.

"E aí vamos fazer o quê? Guardar a paisagem?", questionou, lembrando ser esta a terceira vez que se discute a questão.

"Isso é inaceitável", frisou, acrescentando que a Comissão Europeia é um órgão político e, como tal, "não pode ignorar a situação em 20 Estados-membros".

"Em Portugal temos que ter um setor leiteiro forte, pela importância que tem na nossa produção agrícola, no nosso emprego e nas nossas regiões", disse o ministro.

"Temos um mercado mundial que muda de um dia para o outro", lembrou Jaime Silva, apelando à necessidade de serem tomadas medidas que estabilizem o setor.

O governante defende "medidas de apoio à exportação e de apoio à competitividade".

Jaime Silva citou ainda a necessidade de serem criados "mecanismos que estabilizem os preços", como a "intervenção com preços sustentados", exigida pelos produtores europeus de leite.

"A União Europeia tem que perceber uma coisa, nós temos que manter capacidades produtivas em todas as regiões da Europa", acrescentou.

Vinte Estados-membros querem que Bruxelas adote medidas de curto prazo e uma nova regulamentação para ajudar os produtores a enfrentar a crise.

Este grupo, liderado pela França e Alemanha, inclui Áustria, Bélgica, Bulgária, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, Hungria, Itália, Irlanda, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Polônia, Portugal, Romênia e República Tcheca.

"Deste conselho saiu a decisão de criar imediatamente um grupo de alto nível, com prazos para dar respostas, que apresente um novo quadro regulamentar que trate concretamente destas flutuações bruscas de mercado," adiantou.

A hipótese de criação deste grupo tinha já sido divulgada pela comissária europeia Mariann Fischer Boel.

Fischer Boel disse que o grupo será liderado pelo diretor-geral de Agricultura da Comissão Europeia e constituído por representantes dos Estados-membros.

Para a responsável comunitária pela Agricultura, o grupo de trabalho "irá olhar além da crise atual, procurando modos de ajudar o setor dos laticínios a ajustar-se a um mundo sem cotas" de produção, sistema com fim marcado para 2015.
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