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08/10/2009 - 17h29

Novo jornal quer triangulação de informação entre lusófonos

São Paulo, 8 out (Lusa) - O jornal Brasil Econômico permitirá a "triangulação de informação" entre o mercado brasileiro, Portugal e Angola, disse nesta quinta-feira à Agência Lusa um responsável pelo grupo português Ongoing, controlador do novo diário.

O vice-presidente do Ongoing Media, Rafael Mora, salientou, no lançamento do novo diário, em São Paulo, que a atuação no Brasil era o que faltava ao grupo, já presente em Portugal e Angola.

"A estratégia do grupo sempre esteve baseada numa ambição lusófona, ambição não original, que muitas empresas têm mas de difícil concretização", afirmou.

"E, hoje em dia, não se pode falar de lusofonia, sem se falar do Brasil e dos países africanos de língua portuguesa", disse o responsável.

A primeira edição do Brasil Econômico, resultado de um investimento de cerca de R$ 30 milhões, circula hoje com 55 mil exemplares e 72 páginas, metade delas com publicidade.

Com uma equipe de cerca de 65 jornalistas, o novo jornal vai apostar na integração com o Diário Económico, em Portugal, e com o semanário Expansão, de Angola, títulos controlados igualmente pelo grupo português.

"Em vez de preferir aquele lema do (presidente Barack) Obama 'Yes, we can', preferimos o 'Yes, we did' porque o 'can' implica desejo e o 'did' implica realização", frisou Mora.

"A triangulação de informação vai ser uma realidade, não será um desejo. Estamos orgulhosos porque toda gente dizia que era muito difícil mas estamos aqui celebrando o 'did' não o 'can'", afirmou.

Rafael Mora salientou que o lançamento do Brasil Econômico aconteceu num "tempo recorde", a partir do surgimento de uma oportunidade de negócio, com o fim da Gazeta Mercantil, então o mais tradicional diário de economia do país.

"O triste desaparecimento da Gazeta Mercantil tinha que ser ocupado rapidamente porque outro poderia ocupá-lo. Demonstramos que o grupo tem qualidade, uma equipe extraordinária", disse o executivo.

A periodicidade do novo diário será de segunda-feira a sábado, um diferencial em relação ao seu concorrente direto, o jornal Valor Econômico, cuja circulação termina sexta-feira.

O novo jornal utiliza papel salmão, impressão com qualidade de revista, que evita o desprendimento da tinta, e formato tablóide, uma novidade em relação ao modelo dominante no Brasil.

A paginação utiliza fotos abertas em duas páginas, com menos texto (artigos com 3.200 caracteres) e mais recursos gráficos.

Aos sábados, o jornal vai publicar o caderno Outlook, com temas variados, e procurará oferecer um noticiário mais profundo dos temas abordados durante a semana.

O jornal publicará igualmente uma revista mensal, a "Fora de Série", inspirada na "How to Spend It", do Financial Times, com artigos sobre consumo, marcas, moda, turismo e outros.

A abertura do diário fica por conta da seção Brasil, que incluiu política, macro-economia e duas seções diárias com assuntos pré-definidos, totalizando 12 temas ao longo da semana.

A editoria Empresas ocupa a parte central, seguida pela secção Finanças e pelas páginas finais, reservadas para notícias de última hora.

Bom momento

O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, disse que o grupo português Ongoing escolheu um dos melhores momentos da história da economia do país para lançar o diário.

O ministro, representante do presidente Lula na solenidade de lançamento do novo diário, em São Paulo, destacou que o novo jornal surge num "momento mais que oportuno para a economia brasileira".

"Deve haver alguma bola de cristal na Ongoing, que escolheu um momento como este em que o Brasil, decidida e definitivamente, saiu da crise que tem abatido o mundo", afirmou.

O ministro destacou que a economia brasileira deverá registrar crescimento positivo este ano e uma taxa de cerca de 6%, em 2010, segundo projeção de vários analistas.

Miguel Jorge leu uma mensagem do presidente Lula para quem a decisão do grupo português de lançar um diário é sinal da "crescente confiança internacional na economia brasileira".

Na solenidade de lançamento, com a presença de dezenas de empresários e profissionais do setor, a direção do diário apresentou a proposta de plataforma integrada de comunicação do Brasil Econômico.

A plataforma está sustentada em operações na Internet, telefone celular e em outros meios "capazes de levar informação de qualidade a quem dela necessita - da forma mais ágil e confortável possível", salientou o diretor de Informação, Ricardo Galuppo.

"Nascemos sintonizados com o que existe de mais moderno na comunicação do século 21. O jornal em papel é apenas uma das expressões de um modelo que chamamos de plataforma integrada de comunicação" disse.
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