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15/10/2009 - 12h10

Agências preveem demora para recuperação econômica lusa

Lisboa, 15 out (Lusa) - A economia lusa deverá ser das últimas na zona do euro a se recuperar da crise, consideram as três principais agências de rating, baseando a previsão no fraco potencial de crescimento, na subida do desemprego e na falta de competitividade da economia portuguesa.

Um ano após o Parlamento português aprovar a lei que estabeleceu 20 bilhões de euros em garantias estatais ao setor financeiro, que marcou a resposta inicial do Executivo à degradação dos indicadores macroeconômicos, a Fitch, a Moodys e a Standard and Poors descreveram à Agência Lusa os principais desafios do poder executivo e traçaram um quadro sombrio sobre a recuperação da economia.

Para a Moodys, na próxima legislatura os maiores obstáculos ao crescimento da economia serão "a fraca competitividade e o seu impacto no potencial de crescimento do país", agravada pela "persistente falta de vontade política para levar a cabo reformas dirigidas a este problema".

Estas dificuldades, indica a Fitch, farão com que Portugal seja "um dos últimos países a recuperar, pelo menos na Europa Ocidental".

Além disso, a Fitch destaca o peso do desemprego e afirma que, apesar de construtivas para a economia, as iniciativas de formação para os trabalhadores "impõem um grande peso nas já complicadas finanças públicas".

"Portugal ainda tem o mercado [de trabalho] altamente regulado, com leis laborais restritivas, uma força de trabalho relativamente pouco qualificada e um sistema judicial ineficiente", apontou o diretor associado da Fitch, Douglas Renwick.

Esta é uma das razões, aliás, para projetar uma recuperação "ligeiramente mais lenta do que a da média da zona do euro e um regresso às baixas taxas de crescimento da última década (entre 1% e 2%) de 2011 para a frente".

A Standard and Poors, por outro lado, considera que o próximo governo terá no baixo potencial de crescimento da economia, no fraco desempenho do investimento e no grande déficit da balança corrente os principais obstáculos para a recuperação. O governo está limitado pelo "mau estado das finanças públicas", a braços com um "grande déficit orçamental e uma dívida pública muito grande".

As projeções da Standard and Poors apontam para uma contração de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e de 1,2% em 2010 "devido ao fraco potencial de crescimento da economia". Além disso, está previsto um déficit nas contas públicas de 7% do PIB neste ano e de 6,8% no próximo, melhorando gradualmente até aos 4,4% em 2012.

Apesar do panorama sombrio, o INE divulgou, em setembro, que a economia cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2009, recuperando da queda de 4% de janeiro a março.
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