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02/11/2009 - 08h40

UE deverá rever em alta crescimento do PIB português

Lisboa, 2 nov (Lusa) - A Comissão Europeia deverá, na terça-feira, rever em alta as projeções de crescimento para Portugal, mas a correção não deverá ser muito significativa, consideram os economistas consultados pela Agência Lusa.

Os analistas consideram que os números devem melhorar, apontando que Portugal pode se beneficiar do crescimento dos seus parceiros europeus para melhorar o seu desempenho, mas em escala reduzida.

"Espero notícias mais otimistas. Deverá existir uma recuperação mais rápida dos outros países europeus. Como já tínhamos um registro bastante fraco, não caímos porque já estávamos mais baixos, mas é natural que não venhamos a recuperar tanto como as restantes economias", considerou o economista Pedro Pita Barros.

O professor da Universidade Nova de Lisboa explica que, "globalmente, as economias não afundaram tanto como se previa inicialmente", portanto, "é provável" que as previsões comecem a ser mais otimistas, destacando, no entanto, que, no caso de Portugal, a parte negativa dos ciclos econômicos costuma "ser sempre uns meses ou um ano maior".

Por outro lado, o economista e professor do ISCTE, Emanuel Leão, considera também que Bruxelas deve "rever em alta" as projeções. "Um pouco por todo o lado, mas também na Europa, as coisas têm corrido melhor do que se esperava, e como dependemos muito da zona euro, necessariamente vão rever para cima", afirmou.

Aurora Teixeira, economista e professora na Universidade do Porto, analisa que "já existe alguma retoma", destacando o aumento nas exportações e a vantagem de Portugal estar alavancado nos outros parceiros europeus.

"Não iremos de fato crescer e assim continuaremos enquanto existirem imperativos de correção de déficit, sempre circunscritos a um baixo crescimento. Continuamos a necessitar de grandes correções a nível orçamental que nos impedem de enveredar por políticas expansionistas", concluiu.

Para João Loureiro, economista da Universidade do Porto, o valor projetado em maio para 2009 (contração de 3,7%) não deverá estar "muito distante daquilo que vai ser a quebra efetiva" em Portugal. "Que o PIB vai cair, vai. Na melhor das hipóteses, cairá 3,5 %. Se houver uma revisão será para um crescimento melhor, mas não muito melhor", considerou.

"Uma coisa é terminar a queda, a outra é começar a crescer. Estancou-se a queda, mas ainda não se começou a crescer. Para 2010, acho que há razões hoje para se estar otimista", concluiu.

No Boletim Econômico de Outono estão em causa as projeções macroeconômicas para o conjunto dos 27 países membros da União Europeia. A última estimativa realizada pelo órgão executivo europeu foi divulgada em 3 de maio e apontava para uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) português de 3,7% em 2009 e de 0,8 % em 2010.

A Comissão lança dois boletins econômicos durante todo o ano, o primeiro no início de maio e o segundo no início de novembro.
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