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03/11/2009 - 12h01

Seis indústrias têxteis lusas se fundem por causa da crise

Leiria, 3 nov (Lusa) - Seis unidades têxteis do norte do distrito de Leiria vão fundir-se para salvar 345 postos de trabalho através da criação de uma nova empresa, disse à Agência Lusa um dos empresários envolvidos na iniciativa.

Manuel Fareleiro Arnaut, diretor da Fareleiros, da planta de Ansião, onde estão localizadas cinco empresas - a sexta é de Castanheira de Pêra, explicou que a nova empresa, a B4F, deverá ser formalizada dentro de uma semana.

"A B4F vai ser fundada por três fábricas centenárias de produção de tecidos, V. Fino, Barros e Fereleiros, cujos proprietários têm participação nas outras três, e pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), com um capital social de um milhão de euros", afirmou Arnaut.

De acordo com o empresário, a produção das fábricas, "tecnologicamente bem equipadas, passa a ser canalizada para a B4F que, por sua vez, tem a responsabilidade na comercialização das marcas no mercado".

Além disso, ele adiantou que a B4F vai ser uma sociedade "fortemente capitalizada, com fundo de maneio, capaz de ultrapassar os problemas de tesouraria com que se debatem as empresas, impedindo o seu encerramento, que era uma inevitabilidade e uma questão de tempo".

Arnaut esclareceu que as unidades fabris, "fruto de diversas contingências, entraram em crise a partir de 2003", acrescentando que várias tentativas de as viabilizar se revelaram "insuficientes".

"A atual crise resultou em problemas de consumo, que baixou, e os salários em atraso agravaram-se", frisou.

Para ele, "as empresas passam a ter dimensão através desta estrutura, permitindo-lhes cooperação comercial", declarou, apontando a presença conjunta recente em feiras internacionais.

Arnaut explicou que a participação do IAPMEI foi um "fator decisivo" para avançar com o processo, que iniciou em janeiro, assim como a realização de estudos econômicos que apontavam para a viabilização das unidades.

Por outro lado, Arnaut destacou o "empenho e diálogo" do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios e Vestuário do Centro.

Já o empresário António Fino afirmou que "o sinal de muita confiança do IAPMEI neste projecto que parte de empresas familiares", frisando que caso não se concretizasse seria "um desastre completo" para aquela região face ao desemprego que o encerramento das empresas acarretaria.

A responsável do sindicato, Fátima Carvalho, considerou a constituição da empresa "como uma luz ao fundo do túnel" para os trabalhadores e "um projcto exemplar no país".

"Juntaram-se seis empresas que, se nada fosse feito, todas estavam na iminência de encerrar", declarou a sindicalista, elogiando a "persistência dos trabalhadores" que, apesar dos salários em atraso, "tiveram coragem para enfrentar a situação porque não queriam ir para o desemprego".
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