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04/11/2009 - 11h40

Desemprego luso chegará aos 10% em 2010, diz economista

Lisboa, 4 nov (Lusa) - O economista José Silva Lopes considera que o desemprego em Portugal vai chegar aos 10% no próximo ano e prevê que Portugal vai "voltar, em 2011, para a cauda dos parceiros" econômicos em termos de crescimento da riqueza.

"Eu acredito que o desemprego vai chegar aos 10 % em 2010", disse o antigo presidente do Conselho Econômico e Social durante a intervenção na conferência "O Direito e a Economia: Que lições depois da Crise?".

Comentando as previsões de outono da Comissão Europeia, divulgadas na terça-feira, que apontam para um crescimento de 0,3% no próximo ano, Silva Lopes disse que "Portugal teve uma recessão um pouco menos profunda do que a média da União Europeia, mas depois de uma recuperação prevista de 0,3% em 2010, Portugal deverá voltar, em 2011, para a cauda dos parceiros".

Já sobre o déficit das contas públicas, que a Comissão prevê que fique nos 8% este e no próximo ano, ele declarou que "um déficit de 8% em 2009 e 2010 é aceitável porque é justificado em face da gravidade da crise e do aumento do desemprego".

"Defendo que [agora] o déficit deve ser de 8% do PIB, mas depois é preciso fazê-lo voltar aos 3%, e isso vai demorar muitos anos, e dependerá do crescimento da economia portuguesa", acrescentou o economista.

Além disso, Silva Lopes ainda que a sustentabilidade da dívida pública "não é alarmante", mas merece cuidado e alertou para a "bomba" da dívida externa, que na sua opinião "poderá rebentar a qualquer altura", adverte.

"O Estado não está desesperado, mas o futuro não é brilhante", frisou.

Silva Lopes visou ainda as garantias concedidas pelo Estado ao BPN - que ascendem a mais de 3 bilhões de euros -, e as opções quanto aos grandes investimentos públicos.

"O país vai perder 2% do PIB com o BPN. O Maddoff nos Estados Unidos não mexeu tanto com o PIB [norte-americano] e já está [condenado e] preso", disse o economista.

Quanto aos investimentos, Silva Lopes pediu seriedade e mais reflexão.

"Não sou contra o investimento, mas é preciso que se comecem a levar os investimentos a sério. Para tornar qualquer investimento apetecível qualquer consultor sabe que alterando pequenos parâmetros em termos de rentabilidade pode fazer com que um mau investimento passe a bom", explicou.

O economista considerou que esta reflexão é tanto mais necessária porque em Portugal "somos os campeões da ineficácia".
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