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04/11/2009 - 17h27

Empresários brasileiros veem em Cabo Verde atalho à África

Fortaleza, 4 nov (Lusa) - Empresários brasileiros participam, este mês, da Feira Internacional de Cabo Verde, "país que pode representar a porta de entrada nos mercados africanos", declarou nesta quarta-feira a presidente em exercício da Câmara de Comércio Brasil-Cabo Verde no Ceará, Ruby Araújo.

"Outros países começam a ver Cabo Verde como um 'hub' (país central) para a África subsaariana, e não podemos perder essa oportunidade", afirmou Ruby Araújo à Agência Lusa.

Ela explicou que, além da venda de produtos, o interesse no mercado cabo-verdiano envolve o estabelecimento de acordos na área industrial.

"Com um sistema de parceria, os produtos brasileiros poderiam ser finalizados por indústrias locais e exportados para outros países com a vantagem de redução de taxa alfandegária", ressaltou a presidente em exercício da Câmara de Comércio Brasil-Cabo Verde no Ceará.

A parceria significaria ainda, conforme observou, a oportunidade de abastecer mercados inatingíveis atualmente "em razão das barreiras alfandegárias".

Para a gerente do programa de Internacionalização do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae-CE), Marta Campelo, "entre 20 e 25 empresas do Ceará exportam produtos para o mercado cabo-verdiano, mas a ideia é ampliar esse número".

Araújo explicou que o Sebrae Nacional, em parceria com suas unidades do Nordeste, está implementando "um projeto que prevê ações com países de língua portuguesa, e Cabo Verde será o primeiro a ser trabalhado".

A entidade cearense, junto com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), organiza a participação das empresas locais na 13ª Feira Internacional de Cabo Verde, evento anual que acontece entre 18 e 22 de novembro, no Mindelo, São Vicente, e que conta com apoio da Câmara Brasil-Cabo Verde.

Campelo acredita que 20 empresas representadas - principalmente do Ceará - participarão com produtos como móveis, calçados e bolsas, alimentos, materiais de construção civil, confecções e artesanato.

"Além de parcerias, será uma oportunidade também para a atração de investimentos", disse Campelo, ao ressaltar que o Sebrae-CE vai disponibilizar um estande para exibir produtos e promover a articulação de encontros de negócios.

Com quase dez anos de história, as exportações do Ceará para Cabo Verde, cuja pauta inclui barras de ferro e aço, fogões, cerâmica, esmaltados, móveis e outros, diminuíram 93%, para US$ 620.641, entre janeiro e setembro deste ano, em relação a 2008.

No Brasil, a queda das exportações foi de 33%, para cerca de US$ 19,6 milhões no período em análise, segundo explicou o Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN).

Segundo Ruby Araújo, é fundamental "implementar uma agenda que envolva os governos federal e estadual, entidades como o Sebrae-CE, Fiec, Câmaras de Comércio e outras associações na defesa por uma ligação marítima frequente".

"A logística é um fator preponderante para reversão desse quadro", disse.

Separado de Cabo Verde por 3h40 de voo -, quase o mesmo tempo de Fortaleza a São Paulo -, o Ceará conta com uma frequência semanal da TACV Cabo Verde Airlines às segundas-feiras, em uma ligação que será reforçada em 2010.
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