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04/11/2009 - 09h08

Trabalhadores temem pelo futuro da Opel na Europa

Berlim, 4 nov (Lusa) - Os representantes dos trabalhadores da Opel manifestaram-se "muito preocupados" com a decisão da General Motors (GM) de desistir da venda da maioria das ações da sua subsidiária europeia ao consórcio austro-canadense Magna.

Segundo o presidente da comissão de trabalhadores europeia da Opel, Klaus Franz, o recuo da GM, após meses de negociações com a Magna e o governo alemão, "significa que o anterior plano da GM está de novo sobre a mesa e que as fábricas em Bochum, Kaiserslautern e Antuérpia correm sérios riscos de fechar".

Em relação à nova situação, os trabalhadores da Opel da Vauxhall, marca britânica do grupo, demarcam-se da posição anteriormente assumida de renunciar a 265 milhões de euros em salários e subsídios anuais, em troca de uma participação de 10% no capital da New Opel, empresa que seria criada com a venda para a Magna.

"Vamos reunir-nos para decidir a nossa atuação futura", disse Franz ao site Spiegel Online.

O dirigente disse também esperar que o governo alemão "não ceda às pressões da GM" e recuse agora as garantias bancárias de 4,5 bilhões de euros que tinha prometido caso a operação fosse concluída.

É também "pouco provável" que a GM receba apoio financeiro de outros países com fábricas da Opel, porque as garantias dadas estavam associadas à venda à Magna e ao plano de reestruturação que esta apresentou, que previa a supressão de 10,5 mil dos 55 mil empregos na Europa lembrou Franz.

O governo alemão, que promoveu a venda para tentar salvar o maior número possível de empregos na Opel e as quatro fábricas na Alemanha, que empregam 25 mil pessoas, reagiu à decisão tomada pela GM na terça-feira à noite, em Detroit. Berlim exigiu o pagamento até ao final deste mês de um empréstimo de emergência de 1,5 bilhões de euros feitos à Opel para manter a empresa funcionando.

O governo "lamenta a decisão do Conselho de Administração da General Motors de reestruturar a Opel e mantê-la no consórcio", disse Ulrich Wilhelm, porta-voz do executivo de Angela Merkel, à margem da visita oficial da chanceler aos Estados Unidos.

A GM justificou a sua decisão com "melhores perspectivas de mercado" para a Opel e a Vauxhall, e com a sua intenção de não abandonar o mercado europeu e a tecnologia de ponta produzida na Opel.

Por outro lado, o governo alemão pediu a GM a "reforçar a capacidade" da Opel e a "reduzir a um mínimo" a reestruturação necessária da subsidiária europeia.

Já o presidente executivo da Magna, Siegfried Wolf, manifestou "compreensão" para a mudança de estratégia da GM, lembrando que a Opel "tem um importante papel" na organização mundial do consórcio norte-americano, que foi seriamente abalado pela crise econômica, e só se salvou devido a uma decidida intervenção do Estado, agora o seu acionista majoritário.
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