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04/11/2009 - 16h04

Vinhos portugueses brigam por espaço no mercado asiático

Hong Kong, 4 nov (Lusa) - A participação de empresas portuguesas na feira de vinho de Hong Kong, que começa nesta quarta-feira, é "o lançar sementes" que Portugal quer ver crescer e desenvolver-se, afirmou o cônsul luso na ex-colônia britânica, Manuel Carvalho.

Em declarações à Agência Lusa durante a abertura do evento, Carvalho declarou que a participação portuguesa visa "criar negócio, ajudar às exportações portuguesas, ajudar a reforçar a ligação econômica entre Portugal, a China, Hong Kong, Macau".

"É uma feira importante porque a área dos vinhos é um mercado em grande expansão e permite criar rede de contatos sem a qual é difícil vender aqui", disse o diplomata ao congratular-se com a presença de 30 empresas portuguesas de norte a sul do país.

"Estamos a lançar sementes à terra e esperamos vê-las crescer e desenvolverem-se", acrescentou.

Para a ViniPortugal, que trouxe 15 empresas e mais de duas centenas de marcas lusas ao avento, os objetivos são "aumentar a penetração no mercado e aumentar as exportações de vinho português".

"Hong Kong está a tornar-se cada vez mais um mercado mais interessante porque aboliu as taxas de importação ao vinho", frisou Márcio Ferreira, acrescentando que Portugal está ainda descobrindo o negócio na ex-colônia britânica, para onde exporta atualmente cerca de 200 mil litros de vinho por ano.

"Em Macau estamos melhor implantados, mas esta região funciona mais como uma porta de entrada para a China", acrescentou Ferreira.

Além disso, ele justifica a importância dos produtores de vinho lusos marcarem presença naquela que é uma das maiores feiras da especialidade na Ásia com o fato de Portugal ser atualmente o 11º maior exportador de vinhos para a China.

No primeiro semestre, Portugal vendeu à China 6,5 milhões de litros de vinho, conseguindo um faturamento de cerca de três milhões de euros, patamar que já superou o valor alcançado no ano passado.

"Por isso para os vinhos portugueses é muito interessante estar aqui presente e sobretudo vir aqui mais do que uma vez por ano para mostrar os vinhos portugueses na montra asiática", concluiu.

Plataforma

Já o representante da Fenadegas, Jaime Quendera, que está em Hong Kong com o seu grupo A9, de nove empresas da associação, a participação na feira tem por objetivo "formar uma plataforma de vendas e de expansão de vendas para o mercado asiático".

"Hong Kong é o centro de negócios da Ásia e consideramos que aqui conseguimos trabalhar muito mais o mercado asiático porque vêm aqui os vietnamitas, de Taiwan, da China e vêm de toda a Ásia para fazer negócios", afirmou.

Ele acrescentou que os "asiáticos não conhecem o vinho português e, por isso, a participação na feira serve para mostrar e promover os produtos nacionais, que têm grande qualidade".

A estratégia dos franceses e italianos de exportarem o vinho relacionado com a gastronomia está na base da maior visibilidade daqueles mercados em relação aos produtos lusos, constatou Jaime Quendera, para quem é preciso reforçar o trabalho de promoção dos produtos nacionais.

Representante internacional

A Quiz Wine and Spirits participa este ano pela primeira vez na Hong Kong Wine Fair com o objetivo de encontrar parceiros para vender na China as mais de 20 marcas de vinho português que representa.

Criada há cerca de dois anos, a empresa portuguesa de consultoria, sediada em Lisboa, tem como meta a expansão de marcas do setor no mercado externo, sobretudo na América do Norte, para onde já exporta, e na Ásia, onde pretende chegar em breve através de parcerias locais.

Representante de mais de 20 marcas de dez produtores das regiões do Douro, Dão, Ribatejo e Alentejo, a Quiz tem a China como mercado prioritário para ampliar a presença das marcas nacionais de vinho, disse à Agência Lusa um dos sócios da empresa, Hélder Luz.

"É preciso explorar novos mercados além da Europa e a China é para nós um mercado prioritário, por ter um dos maiores potenciais de crescimento para os nossos vinhos, já que representa cerca de 300 milhões de consumidores", sustentou Luz, destacando o interesse da Quiz em apostar no continente chinês, mas também em Macau e Hong Kong.

"Em Hong Kong procuramos um parceiro para vender os nossos vinhos boutique, em Macau queremos chegar aos grandes hotéis e na China queremos vender o nosso vinho de mais baixo custo, uma vez que consideramos o preço como um dos factores decisivos para a compra de vinho no mercado chinês", explicou.

E foi este interesse que motivou a Quiz a deslocar-se até à Hong Kong Wine Fair, uma das maiores feiras da especialidade da região asiática, para estabelecer contatos e abrir as portas do gigante asiático para a venda de vinho português.

"É um grande mercado para absorver o nosso portfólio de vinhos, quer em grandes quantidades quer ao nível dos vinhos boutique, que é o nosso core business", observou o sócio da Quiz que, no primeiro dia de participação na feira de Hong Kong, faz já um balanço positivo, salientando que foram feitos "contatos interessantes".

A Quiz Wine&Spirits, que espera obter este ano um faturamento de 500 mil euros com as exportações para o Canadá e Estados Unidos, constata a dificuldade em afirmar as marcas de vinho nacionais no mercado externo, que enfrentam uma grande concorrência essencialmente das marcas francesas.

"Há pouco conhecimento do vinho português no mercado internacional, essencialmente sobre as nossas regiões e castas e também criou-se um mito que Portugal não tem quantidade suficiente de vinho para exportar, o que não corresponde à verdade", declarou Luz salientando a necessidade de um "trabalho mais forte de promoção do vinho e cultura portuguesa no exterior".

"O vinho francês é o nosso principal concorrente, uma vez que a França investe muito e tem uma grande capacidade de promoção de marca, conseguindo assim açambarcar-nos o mercado", afirmou.
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