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05/11/2009 - 10h16

Carnaval carioca é mina de ouro pouco explorada, diz livro

Rio de Janeiro, 5 nov (Lusa) - O Carnaval do Rio de Janeiro é uma mina de ouro que ainda não foi completamente explorada, afirmou à Agência Lusa o economista Luiz Carlos Prestes Filho, que coordenou o livro "Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval", lançado nesta quinta-feira e que analisa a cadeia produtiva da economia desta grande festa.

Maior festejo popular a céu aberto, é o único evento entre os países emergentes que tem abrangência global e se insere em uma cadeia produtiva que mobiliza setores como o turístico, audiovisual, industrial, gráfico-editorial, fonográfico, de fabricação de instrumentos, de bebidas e entretenimento.

"O Carnaval é uma grande plataforma. Por que não fazer uma vitrine do Sambódromo que é transmitido para mais de 110 países do mundo?", sugere o filho do famoso político comunista Luiz Carlos Prestes.

A proposta é agregar valor à marca do Carnaval carioca, segundo Prestes Filho, assessor para desenvolvimento da indústria cultural, ligado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro.

"Em nenhum dos BRIC (bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China) há um evento desta natureza, como o Carnaval, um produto internacional", enfatizou.

Desenvolvido por um grupo multidisciplinar, composto por especialistas em economia, direito de propriedade intelectual, estatística, sociologia, comunicação e cultura, o livro "Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval" é fruto de um trabalho realizado durante os últimos quatro anos e coordenado pelo Núcleo de Estudos de Economia da Cultura, sob orientação de Prestes Filho.

A obra é um estudo técnico sobre o fluxo econômico do Carnaval, que movimenta por ano cerca de R$ 1 bilhão.

"Temos que estudar as nossas oportunidades", afirmou o economista, que ressaltou que a indústria do entretenimento é "importantíssima" e lucrativa.

"O Carnaval tem um produto de entretenimento que merece ser entendido e potencializado como um produto de exportação", disse.

Prestes Filho, porém, critica a ausência de políticas para a propriedade intelectual ou de incentivo à dinamização da criatividade dos carnavalescos.

Segundo ele, o estudo revela que as cadeias de serviços que se beneficiam do Carnaval não interagem com as escolas de samba em si.

"A escola de samba não é uma empresa, é uma agremiação criativa que presta um serviço público de entretenimento, que atrai turistas, gera receita e provoca o alto desempenho positivo econômico de diversas atividades", explicou.

O especialista defendeu uma maior articulação entre os segmentos empresariais para "potenciar o Carnaval como um produto".

A aproximação da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 será uma grande oportunidade para exportar o know how do Carnaval carioca.

Prestes Filho destaca ainda que as fantasias dos desfiles são fruto de um trabalho intenso de mais de 2 mil costureiras, que produzem, anualmente, 39 milhões de peças.

"(Os eventos esportivos mundiais) Podem ser uma oportunidade para valorizar a música, a língua e a moda", considerou Prestes Filho.

O especialista destaca que foram identificados mais de 900 eventos carnavalescos com a linguagem carioca no mundo inteiro, em países como Portugal, Japão, Inglaterra, França, Itália e Estados Unidos.

O livro será lançado nesta quinta, quando se comemora o Dia Nacional da Cultura.
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