Saint Andrews, Escócia, 7 nov (Lusa) - Os ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 (grupo que reúne as maiores economias do mundo e principais países emergentes) se comprometeram, neste sábado, a manter os estímulos à economia, até que a recuperação econômica seja mais segura.
Na terceira e última reunião deste ano, os ministros e presidentes de BCs presentes concluíram que a recuperação econômica "é desigual" em diferentes regiões e países e ainda depende dos estímulos.
"O processo de retomada do crescimento está agora a começar" e, por isso, "é cedo demais", disse o secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, em declarações aos jornalistas no final da reunião.
"Se retirarmos essas ajudas cedo demais, vamos enfraquecer a economia e o sistema financeiro, o desemprego vai aumentar, mais empresas vão entrar em falência, os déficits orçamentários vão se agravar e o custo final da crise será muito maior", disse Geithner.
O texto final da reunião ameniza, contudo, algumas divergências sobre as ajudas e massa, com Alemanha, França e Rússia defendendo um plano conjunto sobre quando os países devedores devem retomar o pagamento das dívidas e o Banco Central Europeu indicando que, em breve, pode começar a retirar alguma parte da liquidez cedida ao sistema bancário.
No quadro da reunião, que ocorreu na Escócia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para a necessidade de se evitarem erros cometidos em recessões anteriores, como na de 1929, quando os apoios do Estado foram retirados cedo demais, o que prejudicou a recuperação.
O FMI defende que as estratégias de retirada dos estímulos devem ser transparentes e comunicadas com clareza e imediatamente, e que os dados sobre a retomada e a estabilidade dos mercados financeiros determinem o momento e a forma de fazer isso.
Uma das grandes decepções da reunião foi a falta de acordo sobre o financiamento da luta contra as mudanças climáticas, apesar de o governo do Reino Unido, país anfitrião, ter enfatizado a importância de avançar no assunto, pela proximidade da cúpula da ONU sobre o clima, que acontece em dezembro em Copenhague.
O ministro alemão das finanças, Wolfgang Schäuble, disse que o acordo foi inviabilizado pela falta de vontade dos países emergentes em contribuir.
"Um grupo desses países deixou claro que não está disposto a contribuir, mas já estávamos preparados para isso e era óbvio que os países industrializados vão suportar a grande fatia dos custos", lamentou.