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11/11/2009 - 17h22

Apex prevê forte participação econômica do Brasil na África

Lisboa, 11 nov (Lusa) - Os empresários brasileiros começam a se dar conta do valor dos mercados africanos, afirmou o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alessandro Teixeira, que previu, por isso, grande participação do país, nos próximos anos, nas economias das nações africanas, sobretudo das lusófonas.

"Temos consciência de que temos de avançar muito. Basta olhar para a política da China em relação a Angola e Moçambique, por exemplo. Mas os empresários brasileiros começam a se dar conta do valor desses mercados", disse Teixeira em entrevista à Agência Lusa.

A política para a África é recente, tendo começado só em 2003, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já que, antes, segundo o empresário, "o Brasil não pensava que a África tivesse uma importância grande".

Mas, "com certeza, nos próximos anos, vai se ver uma participação cada vez maior do Brasil na África, sobretudo nos países de língua portuguesa", destacou.

Teixeira lembrou que "já existe um fórum criado com essa intenção", do qual a China faz parte, por causa de Macau. Segundo o empresário, da reunião que houve, em maio, pode-se deduzir que "será cada vez maior a participação do Brasil nas economias angolana, moçambicana, cabo-verdiana, etc".

Questionado sobre se China e Brasil, duas das maiores economias emergentes, competem entre si nas relações com a África, o presidente da Apex afirmou que, "pelo contrário, existe uma complementaridade".

O Brasil é um país de grandes recursos naturais, enquanto a China, hoje o principal parceiro comercial brasileiro [superou os Estados Unidos no início do ano], busca, muitas vezes, essas fontes.

"Não só somos complementares, como trabalhamos com o governo de Pequim no sentido de interagir e procurar mais complementaridades", afirmou Teixeira, que lembrou que os dois países são também atores menores, em nível mundial, no investimento estrangeiro direto.

Atualmente, em termos globais, a China representa menos de 4% dos investimentos estrangeiros diretos, enquanto o Brasil só detém 2% dessas aplicações.

Representação internacional

A Apex está abrindo escritórios de representação em Luanda e Bruxelas [onde vai concentrar o trabalho com os países membros da União Europeia] e já inaugurou em Pequim e Moscou, explicou Teixeira, que ressaltou que "o Brasil veio para ficar na economia mundial".

O Brasil tem melhorado muito sua imagem nos últimos anos, com o trabalho da Apex, e "hoje tem e projeta uma imagem moderna, arrojada, vibrante de país que fabrica produtos de qualidade" e que procura "mostrar um novo modelo de desenvolvimento".

Segundo o presidente da Agência, esse trabalho também ajudou o Brasil a superar a atual crise mundial.

A aposta do Brasil na Expo Xangai é outro exemplo da força que o país quer ter no cenário internacional. "É uma grande oportunidade que se abre. Acreditamos que o modelo de gestão pública das cidades no Brasil é importante e, por isso, selecionamos duas cidades - Porto Alegre e São Paulo - (..) porque queremos mostrar o país diferente que já somos e envolver o povo chinês", afirmou o presidente da Apex.

"Dizem a mim muitas vezes: 'o Brasil está na moda'. Eu digo que não, que não está na moda, que é a moda. Hoje somos a nona economia mundial, mas daqui a dez anos seremos a quinta ou a sexta e estaremos entre as maiores economias do mundo", defendeu Teixeira.
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