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11/11/2009 - 15h34

Brasil quer acordo especial de comércio com África do Sul

Maputo, 11 nov (Lusa) - O Brasil vai propor à África do Sul um acordo especial de comércio, uma iniciativa no âmbito do "grande interesse" do governo brasileiro pelo continente africano.

"Vou propor ao ministro da Indústria e Comércio um acordo especial de comércio entre o Brasil e a África do Sul", disse nesta quarta-feira à Agência Lusa, em Maputo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, no final de uma visita de um dia a Moçambique e a poucas horas de viajar para a África do Sul.

Jorge chefia uma delegação de 90 empresários, que já esteve em Luanda, hoje em Maputo, e termina a visita na África do Sul, na quinta-feira.

Além disso, o ministro explicou que foi discutido com Maputo principalmente o financiamento de obras nos portos de Nacala e da Beira, no centro do país, estruturas que servirão para escoar o carvão de Moatize, em Tete, que será explorado pela mineradora Vale.

Mas a visita, adiantou, serviu também para "o empresariado brasileiro estabelecer parcerias" que permitirão a parceria entre empresas dos dois países em diversos negócios.

Segundo Jorge, trata-se de um processo que começou há algum tempo e com base nas áreas de interesse que já foram identificadas, como têxtil e de calçado.

O Brasil tem "grande interesse na África", frisou o ministro brasileiro, acrescentando que o continente está, junto com a América Latina, na prioridade da política externa brasileira.

É por isso que o presidente Lula "esteve já em mais de 20 países da África", declarou Jorge, e que a missão que agora chefia é a quarta na região, estando previstas mais duas para o próximo ano.

"Temos grandes oportunidades, como África também tem, um continente com uma cultura parecida, uma história parecida e onde em vários países a língua é comum", afirmou.

Países lusófonos

Angola faz parte desse processo de aproximação, país onde trabalham cerca de 40 mil brasileiros, "uma das maiores colônias de língua brasileira no exterior", disse Miguel Jorge, acrescentando que mais empresas brasileiras deverão se instalar no país.

Um dos frutos da visita a Luanda foi a instalação de uma empresa de tubos de aço em Catumbela, próximo à capital Luanda.

"Em Moçambique, além dos projetos importantes como o da Vale, vamos avaliar no final do mês os financiamentos para os portos de Nacala e Beira e também discutimos a possibilidade de financiar barragens, além de projetos na área da transmissão de energia, defesa e construção civil", disse o ministro à Agência Lusa.

A promoção do aumento do comércio entre os dois países poderá incidir em outras áreas, estando Miguel Jorge acompanhado por empresários de setores como alimentos e bebidas, agronegócio, construção, indústria locomotiva, máquinas e equipamentos, materiais elétricos e até cosméticos.

De janeiro a outubro deste ano o comércio entre o Brasil e Moçambique foi de US$ 102,5 milhões, o que representa um aumento de 260,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o volume foi de US$ 28,4 milhões.

Nos 10 primeiros meses deste ano, as exportações brasileiras para o país alcançaram os 67 milhões de euros, 253% a mais do que no ano passado nos mesmos meses.

Os principais produtos comprados por Moçambique foram aviões, carne de frango congelada, reboques, semi-reboques e tratores.

Entretanto, as exportações moçambicanas foram muito mais modestas, cuja pauta foi apenas tabaco, representando 1,4 milhão de euros.
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