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11/11/2009 - 15h28

Portugal não tem estratégia energética, critica executivo

Lisboa, 11 nov (Lusa) - O presidente-executivo da PMO Services, que pertence ao grupo petrolífero Partex Oil and Gas, António Costa Silva, criticou, nesta quarta-feira, o fato de Portugal não possuir uma "autoridade técnica nacional" que formule a estratégia energética do país.

O executivo, que discursou no 8º Fórum de Energia, em Lisboa, considerou que, ao contrário de em países como, por exemplo, a China, em Portugal as autoridades não tomam decisões energéticas de forma pactuada e a longo prazo.

"Não temos uma autoridade técnica nacional que modele a nossa estratégia energética. Aqui são as empresas, cada uma por si, a pensar de sua maneira", afirmou o presidente da PMO Services.

"Ou seja, 'no one is in charge' [ninguém está no comando]", disse Costa Silva, parafraseando o economista norte-americano Milton Friedman. A consequência, acrescentou, é que a maioria dos países - incluindo Portugal - adota "políticas completamente desconectadas das realidades mundiais".

Para o executivo da Partex, "a arquitetura de segurança energética é a mesma desde 1973 [quando se deu a primeira grande crise do petróleo], mas as ameaças, entretanto, mudaram", especificamente as formas de terrorismo e as questões climáticas.

Preço do petróleo

Um dos problemas, disse, é a grande volatilidade do mercado petrolífero.

"Em 2008, houve 39 dias em que o preço variou mais de 5% frente ao fechamento do dia anterior. Em um dia houve mesmo uma alteração de US$ 16 no preço do barril. Antes era preciso haver uma guerra no Oriente Médio - e vários dias de combates - para os preços variarem US$ 10", exemplificou.

Ainda assim, previu, os preços do petróleo não deverão ter as oscilações registradas nestes últimos tempos de crise.

"Vamos ter uma certa contenção dos preços, nos US$ 70 a US$ 80 por barril. Antes de 2011, 2012 não vamos ter um barril de petróleo acima dos US$ 100", disse Costa Silva, que justificou a estimativa pela existência de reservas e de capacidade de armazenamento acima da demanda.

No mercado do gás, o executivo da Partex deu o exemplo do mercado do gás natural na Europa, que está, em grande parte, condicionado aos interesses russos.

"Há um Muro de Berlim energético na Europa", disse Costa Silva, antes de defender que a Península Ibérica deveria se assumir como um ponto de entrada de gás "através do Atlântico", afirmou.

"Vamos ter de contrabalançar a Rússia na Bacia Atlântica", sintetizou.
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