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12/11/2009 - 18h17

Governo luso projeta Irã como forte parceiro econômico

Lisboa, 12 nov (Lusa) - O Irã pode tornar-se um parceiro importante para a economia portuguesa, considerou o vice-ministro luso do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, avaliando o interesse e participação de empresários dos dois países num evento de dois dias, em Portugal.

Fernando Serrasqueiro participou, com o vice-ministro das Finanças e Economia do Irã, no encontro empresarial "Uma visão sobre o Irão: oportunidades de negócio e investimento", que aconteceu nesta quinta-feira em Lisboa, e salientou "o interesse suscitado pela iniciativa", que surgiu depois da sua recente visita ao Irã, a primeira de um membro do governo português.

"Registro com agrado que no âmbito deste evento se realizaram vários encontros bilaterais", salientou o secretário de Estado, defendendo que setores ditos tradicionais mas hoje modernizados, como calçado, têxteis e cerâmicas, além de outros como a eletrônica, equipamentos de saúde, comunicações e energia renováveis "podem corrigir o desequilíbrio que existe na balança comercial".

As trocas comerciais entre os dois países são reduzidas - 0,1% das exportações portuguesas e 0,5% da importações em 2008 - mas a balança é claramente desfavorável a Portugal com os dados deste ano, até julho, mostrando um saldo negativo de 55,52 milhões de euros.

Para dinamizar as relações comerciais e de investimentos, além da vontade dos empresários, "é preciso a preparação jurídica", defendeu por sua vez o vice-ministro das Finanças e Economia do Irã, Behrouz Alishiri.

Nesse sentido, o governante iraniano propôs a assinatura entre os dois países dos acordos-tipo - sobre dupla-tributação, alfândegas e restantes aspectos - para o desenvolvimento de relações comerciais bilaterais.

"Estamos ainda numa fase muito inicial", citou o secretário de Estado do Comércio, adiantando à Agência Lusa que o governante iraniano informou que vai enviar os projetos desses acordos, que terão depois de ser analisados pelo ministério das Relações Exteriores.

No discurso dirigido aos empresários portugueses, Behrouz Alishiri afirmou que "o Irã é uma economia emergente, onde tudo está em desenvolvimento" e que "em nenhum outro país os empresários podem obter o retorno de investimento de forma tão rápida e segura", além de não haver limites ao investimento dos estrangeiros, e estes beneficiarem de apoios estatais iguais aos dados aos iranianos.

O encontro com a delegação iraniana, que conta 30 altos responsáveis de empresas públicas e privadas de vários setores, foi organizado pela Associação Industrial Portuguesa e o Portugal Iran Business Council, e teve uma primeira sessão no Porto, com a participação de 60 empresários portugueses, e hoje uma em Lisboa, com cerca de 60 outros empresários lusos.
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