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13/11/2009 - 15h24

Portugal prevê maior atuação do Brasil no âmbito da CPLP

Lisboa, 13 nov (Lusa) - O Brasil vai passar a ter um papel mais interveniente nos programas para o desenvolvimento no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), disse nesta sexta-feira à Agência Lusa o vice-ministro português das Relações Exteriores e da Cooperação, João Gomes Cravinho.

Cravinho, que falava na saída da reunião de trabalho que manteve com a administradora do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark, acrescentou que visitará o Brasil, no início de 2010, para coordenar a participação brasileira nos projetos de desenvolvimento.

"Estivemos a avaliar o trabalho entre Portugal e o PNUD e decidimos reforçar o nosso trabalho na área de governabilidade do estado de Direito e reforma do setor de segurança nos países lusófonos", frisou o governante português, que enumerou Timor Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

"São áreas de trabalho em que temos experiência. Iremos reforçar o nosso trabalho conjunto nos países lusófonos: Timor Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, em particular", acrescentou.

Em relação à consolidação do papel do Brasil, Cravinho anunciou que na reunião com Clark "ficou definido para os próximos tempos o desenvolvimento de trabalho quadrilateral, entre Portugal, PNUD, Brasil e os países africanos de língua portuguesa".

"O Brasil está numa situação híbrida. Tem grandes desafios de pobreza dentro do seu território, como se sabe. Tem sido tradicionalmente, até agora, um país recipiente, mas nos últimos anos tem-se revelado também como um pais doador, e nesse processo de transição pensamos que, especialmente no espaço da CPLP, há muitas oportunidades para o reforço da relação de cooperação com Portugal e com o PNUD", considerou.

Nesse sentido, "logo que tiver oportunidade, no início de 2010" João Gomes Cravinho conta deslocar-se ao Brasil "para explorar com os brasileiros e com o PNUD a possibilidade de trabalho quadrilateral".

Helen Clark, que ocupa o cargo de administradora do PNUD desde abril, após três mandatos como primeira-ministra da Nova Zelândia, disse à Agência Lusa que a colaboração de Portugal com esta agência das Nações Unidas, "assenta na confiabilidade".

"Portugal é um país pequeno, mas muito confiável", disse.

Sobre a conferência sobre Alterações Climáticas, que vai acontecer em dezembro em Copenhague, Clark reconheceu que persistem "dificuldades", mas manifestou a esperança na obtenção de um "bom acordo para o desenvolvimento".

"À medida que falamos com os diferentes intervenientes, notamos que alguns estão mais otimistas que outros. Pensamos que tem que haver um bom acordo para o desenvolvimento. Aguardamos ainda que os países mais desenvolvidos possam aumentar os compromissos que assumiram quanto às reduções das emissões (de dióxido de carbono)", acentuou.
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