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14/11/2009 - 13h57

Macau foi palco da assinatura do 1° tratado sino-americano

Macau, China, 14 nov (Lusa) ? Macau foi palco das primeiras trocas comerciais entre a China e os Estados Unidos, que definiram e marcaram a evolução da diplomacia entre os dois países, com a assinatura do primeiro tratado, em 3 de julho de 1844.

A atual Região Administrativa Especial da China teve, nos séculos 18 e 19, um papel decisivo no intensificar das relações entre o Ocidente e a China, servindo de entreposto comercial quando era o único estabelecimento europeu na costa chinesa, já que as leis do Império proibiam a entrada de mulheres e estrangeiros, explicou em declarações à Agência Lusa a historiadora Leonor Seabra.

Na primeira metade do século 19, a China era já o terceiro maior parceiro comercial dos Estados Unidos, depois de Inglaterra e Cuba, e a Guerra do Ópio, que opôs Inglaterra e China, abriu um novo capítulo das relações Ocidente/Oriente.

Através da assinatura de um tratado, em 1842, a China comprometeu-se a pagar uma indenização a Inglaterra, de 21 milhões de dólares, a abolir o monopólio do comércio, a abrir cinco portos ao comércio internacional (Cantão, Xiamen, Fuzhou, Ningbo e Xangai), a ceder Hong Kong, a trocar correspondência e a estabelecer taxas alfandegárias fixas.

"Seguiu-se a corrida de outras potências ocidentais ao novo mercado que se abria na China, como os Estados Unidos e França, que queriam as mesmas regalias que os ingleses", realçou a especialista em História de Macau.

Os Estados Unidos enviaram Caleb Cushing a Macau, em 1844, para concluir o acordo com a China e entregar uma carta do presidente John Tyler ao imperador chinês Daoguang.

O representante do imperador - Qiying - estabeleceu residência em Macau no templo budista de Kun Iam Tong, no sopé da colina de Mong Há, onde foi assinado o primeiro tratado sino-americano, em 3 de julho de 1844, numa mesa de pedra de um dos átrios do templo, que ainda hoje pode ser visitada.

"Com este tratado, os americanos obtiveram todos os privilégios dos britânicos, exceto a cedência de um território e a indenização", constata Leonor Seabra ao realçar que, mesmo depois da ocupação de Hong Kong pelos ingleses, os americanos continuaram a usar Macau como base para os seus negócios na China.

O templo de Kun Iam Tong foi construído no século 12 em homenagem à deusa da Misericórdia e é hoje um dos locais de culto budistas mais antigos e maiores de Macau, sendo uma das principais atrações turísticas do território.

A mesa de pedra que marcou o início das relações comerciais e diplomáticas entre uma das maiores potências do Ocidente e aquela que é atualmente uma das maiores economias mundiais em ascensão está rodeada por duas árvores consideradas símbolos dos amantes e da felicidade conjugal.

Ficaram assim criadas as condições que permitem hoje ao presidente americano Barack Obama deslocar-se a Pequim para, entre outras metas, procurar incrementar as relações comerciais com a China, iniciadas em Macau, como forma de contrariar os efeitos da crise econômica.

Na sua passagem por Macau no início deste ano, Henry Kissinger, ex-secretário de Estado americano que abriu caminho ao estabelecimento das relações diplomáticas sino-americanas há 30 anos, defendeu o aprofundamento das relações bilaterais ao defender que os "interesses são paralelos nos grandes assuntos, como a Paz e progresso, e que os benefícios serão mútuos".

"Não acredito que a China substitua os Estados Unidos, mas o seu papel a nível global tornar-se-á mais importante", acrescentou ao apontar o ambiente, energia, educação e a luta contra o terrorismo como as áreas onde a cooperação deverá ser reforçada e que constam da agenda de Obama para os contactos com Pequim na próxima semana.

Também o director da Comissão dos Assuntos Externos da Assembleia Nacional Popular, Li Zhaoxing, deixou claro, na mesma ocasião, o interesse da China no estabelecimento de uma nova ordem social, através do reforço da cooperação internacional, baseada na "igualdade e benefícios mútuos", e da manutenção da paz.
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