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17/11/2009 - 15h23

BC luso espera contração de 2,7% do PIB para este ano

Lisboa, 17 nov (Lusa) - A economia portuguesa deverá sofrer uma contração de 2,7% neste ano, anunciou nesta terça-feira o Banco de Portugal. Com isso, a instituição melhora sua expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 0,7 ponto percentual desde a última previsão.

De acordo com o Boletim Econômico de Outono, o PIB deverá contrair-se 2,7% este ano, uma substancial melhoria em relação à contração de 3,5% projetada no Boletim de Verão, divulgado em julho.

Nestas projeções, a instituição liderada por Vítor Constâncio revê a generalidade das suas projeções, com exceção da inflação, que se prevê atingir os -0,9% este ano (a anterior projeção apontava para 0,5%). O déficit externo também é o mesmo, que deverá ser 0,3 p.p. superior à última estimativa, terminando este ano em 8,6% do PIB.

A estimativa para o consumo privado aponta para uma deterioração menor que a esperada, para -0,9% (anterior projeção era de -1,8%), prevendo-se que o crescimento do gasto estatal atinja 2,1% em 2009 (contra 1%).

As exportações e as importações também deverão cair menos que o esperado, sendo que as importações (superiores em valores às exportações) devem diminuir 11,7% (contra queda de 17,1%) e as exportações 13,1% (ante projeção de 17,7%).

Ação estatal

O BC luso destaca o papel das autoridades monetárias e dos governos na reação à crise financeira internacional. Isso porque as medidas de estímulo e de apoio ao sistema bancário contribuíram "não só para reduzir progressivamente a tensão nos mercados financeiros internacionais", "mas também para introduzir estímulos diretos, ainda que temporários, sobre a atividade econômica, o que contribuiu para melhorar as expectativas dos agentes".

De acordo com a instituição, "num quadro de menor volatilidade e aversão ao risco, as perspectivas sobre a atividade econômica tornaram-se assim gradualmente menos negativas a partir do segundo trimestre de 2009".

"As estimativas do Banco de Portugal apontam para uma queda do PIB em 2009 de 2,7%, apos uma estagnação em 2008", indica o órgão o regulador, frisando que, de acordo com a informação disponível, esta queda será inferior à prevista para a média da zona do euro e da União Europeia.

A instituição explica que as consequências da crise financeira a nível global se agregaram a algumas fragilidades da economia portuguesa, mas que esta demonstrou "vários elementos de robustez", como a ausência de uma situação de sobrevalorização dos mercados imobiliários e uma "posição relativamente favorável do sistema bancário" português no quadro europeu.
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