UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

17/11/2009 - 13h48

Premiê português admite que desemprego só cairá em 2010

Santiago do Cacém, 17 nov (Lusa) - O primeiro-ministro português, José Sócrates, admitiu nesta terça-feira, em Santiago do Cacém, que a taxa de desemprego só deverá começar a cair em 2010, apesar dos sinais de recuperação econômica apresentados nos últimos meses.

"No segundo trimestre de 2009, nota-se já uma reanimação e uma recuperação da nossa economia, mas a verdade é que isso não chegou ainda ao mercado de emprego e, por isso, a nossa economia continua a perder empregos", admitiu Sócrates.

"Tenho a convicção de que, à medida que a recuperação da economia prossiga, possa ter finalmente efeitos no desemprego, que ainda não começaram a se fazer sentir, mas que espero que se façam sentir em 2010", acrescentou o premiê.

Sócrates conversou com os jornalistas depois da cerimônia que marcou o início dos trabalhos do Itinerário Principal 8 (IP8), entre Sines e Beja, com uma extensão de 95 quilômetros.

A obra vai permitir a construção de uma via com perfil de autoestrada, que ligará o porto de Sines ao aeroporto internacional de Beja, e que deverá dinamizar a atividade econômica em toda a região do Baixo Alentejo, mas que também deverá contribuir para reduzir a taxa de desemprego, que o primeiro-ministro definiu como uma das prioridades de governo.

Reflexos da crise

Confrontado com as previsões do Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE), que indicam que o desemprego deve chegar a 9,8% no terceiro trimestre do ano, Sócrates reafirmou que se trata de um problema resultante da crise internacional, mas que deve estar no topo das prioridades de qualquer ação do governo.

"O crescimento do nosso desemprego acompanha o que foi o crescimento do desemprego na Europa e nos Estados Unidos. Esse crescimento é resultado do abrandamento da situação econômica em 2008 e 2009", disse o premiê.

De acordo com o primeiro-ministro, "a melhor forma de combater o desemprego é fazer investimentos como a autoestrada Sines-Beja, que vai dar oportunidades de emprego a oito mil portugueses e também às empresas".

"Estamos a fazer aquilo que podemos: mais investimento para dar mais oportunidades às empresas, para dar mais emprego e para modernizar o país. É desta forma que se combate o desemprego", ressaltou.

"Em um momento em que o desemprego sobe em todo o mundo, a mensagem que eu tenho para os portugueses é que não deixaremos os desempregados sozinhos, que tudo faremos para desenvolver os mecanismos sociais que permitam acompanhar essas pessoas e que permitam ao Estado desenvolver as atividades necessárias para que essas pessoas possam recuperar o emprego", destacou.

No discurso que fez para cerca de 100 convidados, onde estiveram presentes os principais prefeitos da região, Sócrates disse que as obras no IP8 representam um investimento público que se realiza "para combater a crise, para dar mais oportunidades de emprego, para modernizar a economia nacional, mas também por uma questão de justiça com o Alentejo, para realizar os objetivos de coesão nacional, para fazer aquilo que já devia estar feito e que para muitos, incompreensivelmente, não se fez no passado".

O primeiro-ministro disse ainda que a nova autoestrada, que deve estar concluída em 2011, vai melhorar as acessibilidades no Baixo Alentejo, diminuir a taxa de acidente e melhorar a competitividade da economia portuguesa e a qualidade de vida na região alentejana.
Hospedagem: UOL Host