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17/11/2009 - 08h56

UE terá que investir 1,6 bi de euros em energia, diz estudo

Lisboa, 17 nov (Lusa) - A União Europeia estima ser necessário investir em eletricidade e gás cerca de 1,6 bilhão de euros até 2030, indica nesta terça-feira o Observatório Europeu dos Mercados de Energia.

"O aumento da demanda por energia combinada com a necessidade de repor novas infra-estruturas constitui, por si só, um considerável desafio", aponta a consultoria Capgemini num estudo em colaboração com a Societé Générale, ao qual a Agência Lusa teve acesso.

O documento indica ainda que a obrigação de reduzir as emissões de dióxido de carbono (C02) para combater o aquecimento global torna este desafio "ainda mais complexo".

Na primeira metade do ano passado, os desafios que já se colocavam tinham a ver com o abastecimento de eletricidade e gás combinado com a redução das emissões de CO2.

No entanto, a escolha da combinação, isto é, a variação da matriz energética continua a colocar problemas: três quartos das usinas elétricas que estão sendo construídas vão ser abastecidas através de combustíveis fósseis, o que colocará enormes problemas em termos de emissões de dióxido de carbono.

O estudo chama, assim, a atenção para a qualidade dos investimentos que estão sendo feitos e defende que sejam aumentados os investimentos em energias renováveis e na eficiência energética, de "uma forma mais acelerada que até aqui".

O investimento em energias renováveis caiu 14% na Europa na segunda metade do ano passado, em plena crise mundial, rompendo com a uma taxa de crescimento anual média de 56% nos últimos cinco anos.

Além disso, o relatório diz que no primeiro semestre deste ano o consumo de eletricidade e de gás na indústria recuou significativamente na Europa, entre 10% e 20%, quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

No entanto, o setor terciário, onde a energia consumida está ligada aos edifícios e às habitações, foi mais resistente à crise.

Pela primeira vez desde a 2ª Guerra Mundial, a eletricidade consumida vai se reduzir em 3,5 % neste ano. O consumo de gás apresentará um comportamento semelhante.

No primeiro semestre do ano, o consumo agregado de energia, levando em consideração a maioria dos países europeus, cairá na ordem dos 5% e o consumo de gás deverá diminuir 9%, comparativamente a igual período do ano passado, segundo o documento.

O estudo destaca ainda a queda abrupta na concessão de crédito, combinada com um baixo retorno nos investimentos arrastaram para baixo os investimentos no setor energético.

Por outro lado, os investimentos em centrais nucleares tiveram diferentes impactos consoante as diversas regiões do mundo.

A matriz nuclear é uma energia limpa, pois não emite dióxido de carbono, embora tenha outros problemas, sobretudo ligados aos resíduos nucleares. Mas há regiões do mundo em que se optou pela energia hidrelétrica, que é limpa e não libera CO2, daí que não se possa fazer uma comparação idêntica quanto ao impacto que o nuclear teve nas diferentes regiões.
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