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19/11/2009 - 16h05

Brasil ajudará Moçambique a formar especialistas em etanol

Maputo, 19 nov (Lusa) - O Brasil deverá formar estudantes moçambicanos no uso de tecnologias de produção de etanol, uma das apostas do governo de Moçambique, que aprovou investimentos estimados em bilhões de dólares para o setor.

Uma missão empresarial brasileira está na capital Maputo para analisar as oportunidades de investimento na área dos biocombustíveis, particularmente na produção de álcool a partir da cana-de-açúcar.

Os empresários brasileiros reuniram-se hoje com investidores moçambicanos e da Suazilândia, país vizinho, num evento organizado pelo Centro de Promoção de Investimentos (CPI) de Moçambique.

No final do encontro, uma fonte do CPI disse à Agência Lusa que o chefe da missão empresarial brasileira manifestou interesse em formar estudantes moçambicanos na utilização de tecnologias de produção de etanol, visto que o País é líder mundial na transformação do açúcar em álcool para o uso na área dos biocombustíveis.

O governo brasileiro, explicou à Agência Lusa o embaixador do país em Maputo, António de Souza e Silva, apoiou a comitiva pois é estratégia do Brasil tornar a produção do etanol em escala mundial, visto que hoje 80% das usinas estão no Brasil e Estados Unidos.

"O Brasil produz 270 mil milhões de litros e consome 220, pelo que a oferta brasileira é reduzida, por isso a ideia é criar uma massa crítica sobre o etanol no mundo", disse o embaixador.

Para ele, "a tendência natural" é que os empresários brasileiros invistam na produção de etanol no país africano e que a missão teve como principal objetivo apresentar o trabalho que está sendo realizado no Brasil, desde a produção de cana de açúcar à maquinaria e aos parques de etanol.

Moçambique, acrescentou Silva, já tem quatro grandes fábricas de açúcar e planos para duplicar a produção, pelo que o etanol daria segurança no abastecimento de combustível e poderia exportar parte do produto.

O diretor do Centro de Promoção de Agricultura de Moçambique, Roberto Albino, assegurou que o executivo de Maputo vai duplicar, num máximo em quatro anos, a produção de açúcar para cerca de meio milhão de toneladas.

Durante a década de 90, Moçambique investiu US$ 16 milhões na recuperação de campos agrícolas e unidades industriais de Marromeu, Mafambisse, centro, Maragra e Xinavane, sul. Atualmente, Moçambique produz aproximadamente 250 mil toneladas de açucar.

Cooperação

No âmbito da cooperação com Moçambique, o governo brasileiro investiu na construção de uma fábrica de medicamentos antiretrovirais em Maputo, um Centro Florestal na Manhiça, perto de Maputo, e tem empreendimentos de carvão em Moatize, Tete, centro, desenvolvido pela companhia Vale.

Em Nacala, em conjunto com o Japão, estão sendo realizados aportes na agricultura, como a correção de solos e adaptação de sementes. Fora o programa de bolsas de estudo, que chega a 50 por ano para mestrados e doutorados, lembrou o embaixador.

Tudo isto faz de Moçambique o maior beneficiário do Programa Pró-África, uma iniciativa do governo brasileiro ligada à investigação científica, sendo que 36% do total dos seus projetos são dedicados aos moçambicanos.
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