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19/11/2009 - 14h14

Cabo Verde é plataforma lusa para Brasil, diz entidade

Cidade da Praia, 19 nov (Lusa) - O presidente da Associação Industrial Portuguesa - Confederação Empresarial (AIP-CE), Jorge Rocha de Matos, defendeu nesta quinta-feira que Cabo Verde, por seu estatuto e situação geográfica, pode se transformar em uma plataforma para o empresariado português alcançar Brasil, Estados Unidos e Canadá.

Em entrevista publicada no jornal OJE, ele afirmou que a ilha já conta com um estatuto especial e é "apetecível" para as pequenas e médias empresas portuguesas, razão pela qual 40 delas estão presentes na 13ª Feira Internacional de Cabo Verde (FIC), que acontece no Mindelo, na ilha de São Vicente.

"Cabo Verde tem um estatuto especial que é potenciador dessa situação: é considerado pelos EUA, Canadá, Brasil e Rússia como um país com preferências especiais, ou seja, não tem direitos aduaneiros", afirmou.

"Os chineses perceberam isso e têm lá cerca de duas mil pessoas, fazendo pequenas alterações nos produtos para enviarem para esses quatro países, sendo uma forma de entrarem nesses mercados de uma maneira muito mais competitiva", disse.

"Se eles fazem isso, os portugueses podem fazer o mesmo. Cabo Verde está a meio caminho do Brasil, tem boas ligações com EUA e Canadá. Podemos transformar Cabo Verde em uma plataforma para os nossos interesses no Brasil Canadá e EUA", disse o presidente da AIP-CE, associação que organiza a FIC.

Segundo Rocha de Matos, que defende uma aposta em áreas como turismo, energias renováveis, agricultura, pescas, transportes e infraestruturas, um dos problemas com o Brasil são os altos impostos, pelo que a utilização de Cabo Verde seria uma forma de "atenuar" esse custo.

"Mas o inverso não é verdadeiro. Entre a Europa e o Brasil, as empresas brasileiras não pagam quase impostos, mas as europeias pagam muito se quiserem entrar no Brasil, sobretudo o IVA (Imposto sobre Valor Agregado)", ressaltou.

Aposta na África

Para o presidente da AIP-CE, Cabo Verde "pode ser um mercado muito significativo" se for considerado também no espaço da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), com mais de 200 milhões de consumidores.

"Se tivermos acesso a 10%, são 20 milhões de consumidores, metade do mercado espanhol. Há determinadas apostas que temos de fazer", defendeu.

Rocha de Matos frisou que Portugal deve ter uma estratégia euro-atlântica na diversificação de seus mercados externos e que os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop) podem ser porta de entrada em mercados africanos maiores.

"A estratégia seria usar esses mercados menores para entrar em mercados maiores. É dentro dessa linha que chegamos a Cabo Verde. Organizamos a FIC já há alguns anos. E o projeto que queríamos era tentar fazer uma zona franca em Cabo Verde que permitisse, com uma pequena transformação de bens, entrar neste espaço que apanha a região que vai do Senegal ao Chade e à Nigéria", explicou.

"Por razões de flutuação política, não foi possível concretizar. É preciso que os exportadores portugueses tragam seus produtos para um mercado como o de Cabo Verde e é preciso também não esquecer que este é um mercado muito concorrencial, onde temos situações de quase 'dumping' por parte dos chineses", lembrou.
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