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19/11/2009 - 14h55

Maputo investe pouco em infra-estrutura, diz Banco Mundial

Maputo, 19 nov (Lusa) - O governo moçambicano investe anualmente US$ 700 milhões infra-estruturas, mas para atingir níveis de países em desenvolvimento deverá desembolsar pelo menos US$ 1,7 bilhão por ano durante uma década, indica um estudo do Banco Mundial divulgado nesta quinta-feira.

A pesquisa, intitulada "Os Desafios de Infra-estruturas em Moçambique: Uma perspectiva continental", indica que a verba disponibilizada por Maputo na área é reduzida, se comparada com o apoio dado pelo setor privado e doadores estrangeiros.

O estudo aponta para o estado de degradação da infra-estrutura na África subsaariana "diminui o crescimento econômico anual em 2% e reduz a produtividade dos negócios em cerca de 40%".

Por isso, o relatório defende a necessidade de "diversificar as fontes" de financiamentos nas áreas de eletricidade, estradas e tecnologias de informação e comunicação, e "avaliar a possibilidade de investir técnicas de relativo baixo custo e que possam, ajudar a fazer face ao déficit de financiamento".

O estudo, que considera África como o continente com infra-estruturas "mais fracas do mundo", relata que "muito ainda precisa de ser feito com respeito a essa área", onde "são necessários pouco mais de US$ 31 bilhões para transformar as infra-estruturas no continente".

Gasto astronômico

A falta de financiamento em projetos poderá comprometer o desenvolvimento dos países pobres africanos, que, segundo cálculos do Banco Mundial, precisariam gastar mais de 25% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para inverter o cenário.

A propósito, o representante residente do Banco Mundial em Moçambique, Luiz Tavares, pediu ao governo moçambicano que preste "maior atenção à questão de infra-estruturas". Ele também felicitou as autoridades locais pelos "grandes esforços que estão a empreender" nas áreas de energia, na expansão da cobertura de água e saneamento, nos setores das telecomunicações, transportes rodoviários e ferroviários.

"A tarefa que temos todos pela frente, como agentes de desenvolvimento, é a de encontrar formas de acelerar o passo juntos neste domínio, e maximizar, através de maior eficácia operacional, os efeitos dos investimentos em infra-estruturas", disse Luiz Tavares, na cerimônia de apresentação da pesquisa.

Comentando o estudo, o ministro moçambicano das Obras Públicas e Habitação, Felício Zacarias, afirmou que o governo "teve sempre clareza sobre a importância de infra-estruturas para o desenvolvimento" do país, o que tem sido "expresso no volume de recursos e projetos que anualmente inscreve no seu Plano Econômico e Social".

"Temos a consciência que temos que melhorar muito os nossos padrões de manutenção de infra-estruturas", até porque "sabemos das razões de nossas dependência", sobretudo aos doadores, disse Felício Zacarias.

"Por isso, o governo está ciente que terá de criar sistemas, meios e metodologia que permitam gradualmente superar esta situação, minimizando de forma permanente o reforço da nossa capacidade interna", concluiu o governante moçambicano.
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