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19/11/2009 - 16h00

Mota-Engil planeja expansão a partir de sede no exterior

Lisboa, 19 nov (Lusa) - O presidente da Mota-Engil, António Mota, afirmou nesta quinta-feira que a internacionalização do grupo para novos países poderá ser feita a partir de uma sede localizada no exterior, e "não a partir de Portugal".

"Não há internacionalização no setor da construção portuguesa sem uma forte base nacional", disse Mota à imprensa, depois de participar da palestra "Os Caminhos da Internacionalização", que aconteceu nesta quinta em Lisboa.

O gestor, fundador e acionista da Mota-Engil, afirmou que a internacionalização do grupo para novos mercados poderá ser feita "a partir de uma sede no exterior, sem abandonar Portugal, mas não a partir do país".

No caso do Brasil, o executivo explicou que o grupo Mota-Engil vai adquirir uma empresa com parceiros locais na área do ambiente.

"As negociações estão a decorrer e vamos ter uma participação de 50% no capital", informou.

Cerca de 25% dos negócios da companhia atualmente são feitos fora da área da construção, e mais da metade fora de Portugal, garantiu o executivo, que explicou que a Mota-Engil Engenharia já é maior no exterior do que no país europeu.

"O problema não é o de deslocalizar a sede da empresa quando a dimensão lá fora for muito maior do que em Portugal, mas, provavelmente, não haverá alternativa [além de ter que escolher outro veículo organizativo] para a internacionalização", destacou.

O presidente da empresa explicou também que o setor da construção em Portugal tem sofrido desaceleração há sete ou oito anos, enquanto a Mota-Engil tem crescido no exterior.

"Para a Mota-Engil é difícil ter uma estratégia sustentada e de crescimento em Portugal, que é um país que diz sim e depois diz não [nos concursos para grandes obras e concessões]", disse Mota, criticando a volatilidade dos políticos nas decisões.

"Hoje, o grupo não pode formar quadros só em Portugal [uma vez que as obras de engenharia avançam, param, ou recuam], o que não acontecia há dois anos, onde quase toda a formação era feita no país", criticou o empresário.

Mota reforçou a ideia de que se a companhia for para novos mercados externos ? com exceção de Angola, onde está há muitos anos e vai constituir, em breve, uma sociedade de capitais mistos -, escolherá países que tenham "muita capacidade, dimensão e forte crescimento".
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