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22/11/2009 - 11h21

AL tem que aumentar eficiência produtiva, diz organização

Por António Sampaio, da Agência Lusa

Madri, 22 nov (Lusa) - A América Latina tem que aumentar sua eficiência produtiva, apostando na inovação e no ensino superior, para dar "um salto qualitativo em termos econômicos e de justiça social", afirmou o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias.

Em entrevista à Agência Lusa, em antecipação da cúpula Ibero-americana do Estoril, no fim do mês, Iglesias explicou que a economia, a recuperação da crise e o papel da inovação nestas mudanças no continente serão os eixos centrais da reunião, considerando "uma grande ideia" a decisão de Portugal trazer a inovação e o conhecimento para o encontro.

Destacando a posição "privilegiada" da América Latina "como fornecedora de matérias-primas" para o emergente mundo asiático, Iglesias referiu-se às melhorias ue se evidenciam nos recursos humanos e a crescente experiência na gestão econômica.

"É um momento especial, mas que tem que ser aproveitado com inteligência. Isso obriga a um grande esforço de eficiência, produtividade e competitividade", afirmou.

"Não se pode exportar ineficiência. E nesse sentido é muito importante que a América Latina se prepare para competir com mais produtividade", declarou.

Estratégia

Após décadas competindo "na abundância de materias-primas e outras vezes com mão-de-obra barata", chegou o momento de "competir com eficiência produtiva e melhor qualidade do crescimento, para ter salários mais altos e melhores condições de vida".

O diretor da Secretaria-geral Ibero-americana considera uma "grande ideia" a decisão de Portugal colocar o tema da inovação no centro do debate ibero-americano, já que está é uma questão que "vai dominar claramente o panorama social, econômico e político dos próximos anos".

Iglesias sustenta que nunca antes de qualquer cúpula houve tanta preparação, tantas consultas com governos, o mundo acadêmico e o setor privado, como no caso da cúpula do Estoril.

Um "grande debate prévio" que torna o encontro em Portugal um ponto importante de inflexão, do qual sairá não só uma importante declaração política mas projetos específicos de colaboração e uma "ponte" para a cúpula UE-América Latina (em 2010), que também terá a inovação como tema dominante.

Financiamento

No caso do Estoril, explicou, haverá mecanismos de financiamento e já há ofertas de governos, para projetos como a Ibero-América Inova que apoiará iniciativas de inovação em PME.

"Há países que se vão associar e haverá fundos que se comprometeram para isto. Já temos projetos financiados. Se a isso se somar a colaboração da UE, tanto melhor", disse.

Além da inovação, Enrique Iglesias confirmou que também haverá espaço na cimeira, e nos encontros empresarial e cívico que a antecedem, para analisar as alterações climáticas e "o papel da inovação" neste tema.

"O que vão fazer as empresas para inovar para melhorar e mitigar os efeitos das alterações climáticas? Haverá um debate com as empresas e com os presidentes", disse.

"Mas é possível que o tema esteja também presente nas conversas privadas entre os presidentes", frisou Iglesias, afirmando que "o importante é negociar o compromisso do espaço ibero-americano com este tema".

Em segundo plano, mas como "pano de fundo", continuará o combate à crise, mas sem a urgência que o tema assumiu no encontro de El Salvador, em 2008.

Agora vai-se analisar "como a inovação pode resolver a crise e preparar o mundo que virá".

A cúpula Ibero-americana decorre no Estoril em 29 e 30 de novembro e 1º de Dezembro.
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