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23/11/2009 - 09h45

Africanos acusam Europa de quebrar concorrência na aviação

Maputo, 23 nov (Lusa) - O secretário-geral da Associação das Linhas Aéreas Africanas (AFRAA), Christian Folly-Kossi, acusou nesta segunda-feira a Europa de criar regras que "parecem ter como objetivo quebrar a concorrência" das companhias aéreas africanas.

"Parece que o objetivo é quebrar a concorrência das companhias africanas e dar vantagem competitiva às contrapartes europeias", afirmou o queniano Folly-Kossi na abertura da 41ª Assembleia-geral da AFRAA, que ocorre até terça-feira em Maputo.

A AFRAA foi criada em 1968, em Accra, Gana, e junta 40 companhias aéreas, desde a LAM (Linhas Aéreas de Moçambique) às companhias aéreas de países como Nigéria, Botsuana, Malaui, Namíbia, África do Sul, Senegal, Tanzânia, Quênia e Egito.

Na abertura do encontro, Christian Folly-Kossi pediu um esforço conjunto dos países africanos para que sejam as companhias aéreas do continente a explorar o mercado na África e lembrou que a União Europeia tem colocado na lista negra diversas transportadoras africanas.

"É importante que a lista negra não seja utilizada como um instrumento de concorrência para que não possamos voar para o espaço europeu", afirmou, acrescentando que é necessária na área da aviação civil uma estratégia comum, no âmbito da União Africana e das comunidades económicas regionais.

O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, abriu oficialmente a reunião, que junta mais de 300 pessoas, e lembrou as dificuldades que o sector atravessa, conjugadas em acções contra a segurança, crise mundial, decréscimo de passageiros, supressão de rotas e perda de empregos.

Sugeriu por isso que as empresas de aviação civil procurem sinergias para evitar que a crise ganhe maior amplitude.

José Viegas, presidente da LAM e da AFRAA, considera no entanto que a estratégia não pode passar por fusões de companhias, como acontece na Europa (a British Airways com a Iberia, ou a Air France com a KLM, por exemplo), porque "em África há grandes diferenças entre as companhias".

"África tem companhias aéreas com diferentes modelos de negócios e de escalas. As fusões acontecem na Europa e nos Estados Unidos, com companhias quase iguais. Aqui é difícil porque há grandes diferenças entre as companhias", defendeu.

Na África há "cinco ou seis grandes companhias que disputam o mercado da Europa", disse, acrescentando que é preciso encontrar formas de bloquear o contínuo crescimento das grandes companhias europeias, sendo necessário cuidado porque "essas medidas podem ser interpretadas como protecionistas".

Para José Viegas, a África tem de procurar que no continente não hajam "os leões e as gazelas" em termos de companhias aéreas. "O que procuramos fazer é em cooperação encontrar formas de que não sejamos engolidos por nos próprios", frisou.

O encontro em Maputo destina-se a "definir linhas mestras de revitalização da AFRAA e discutir soluções para os momentos difíceis do sector", segundo José Viegas.

Além das companhias aéreas, participam no encontro representantes de fornecedores de material aeronáutico e da área da formação, "um dos problemas de África, em conjunto com a constante fuga de quadros", disse o presidente da LAM.
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