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23/11/2009 - 15h06

BC luso vincula inovação tecnológica a crescimento mundial

Lisboa, 23 nov (Lusa) - O presidente do Banco de Portugal (banco central), Vítor Constâncio, defendeu nesta segunda-feira uma "onda de inovação tecnológica" como solução para estabelecer novas bases que permitam um crescimento econômico mundial mais rápido nos próximos anos.

"Estamos perante o risco de um crescimento muito lento, nomeadamente nos países economicamente mais desenvolvidos do mundo, e uma das maneiras de termos uma evolução o mais otimista possível é se verificar uma nova onda de inovação tecnológica, que pode vir, entre outras, das energias renováveis, para que tenhamos um crescimento mais rápido nos próximos anos", disse Constâncio no 5º Fórum Parlamentar Ibero-americano, em Lisboa.

Segundo o presidente do BC português, com a crise internacional as economias mais desenvolvidas fizeram "um esforço orçamental muito grande, não podem acumular déficits e, portanto, terão um período de consolidação", o que fará com que não registrem crescimentos econômicos muito rápidos.

Nesse sentido, há duas soluções para superar a situação mundial nos próximos anos, diz Constâncio, que antecipou que, além da "nova onda de inovações tecnológicas", também é preciso que haja "um rebalanceamento em nível mundial, isto é, que países como China, do Oriente Médio e produtores de petróleo que têm excedentes desenvolvam sua demanda interna e o investimento".

"A ideia é repor a procura mundial que está muito embaixo", disse à Agência Lusa.

Retomada do crescimento econômico

O executivo acredita que para que esse rebalanceamento ocorra terá de haver uma "revalorização das moedas desses países", o que implicará um aumento do consumo e induzirá o crescimento econômico.

"A crise ainda não acabou e a recuperação será lenta. O consumo europeu não terá grande dinamismo nos próximos anos, vai se assistir a um recuo da globalização do sistema financeiro, que não será recuperado tão rapidamente e se assiste à restrição do crédito, pois os bancos têm limites para se expandir", afirmou.

Neste sentido, Constâncio disse que teme que Portugal entre em um período prolongado de fraco crescimento econômico.

"A construção [nos países europeus] estará em crise no futuro próximo, a indústria automobilística e toda a gama de bens duráveis, bem como o setor financeiro, conhecerão perdas nos próximos anos", esclareceu.

O presidente do BC português afirmou também que se assistirá a "uma alteração muito substancial do perímetro de consolidação da regulação das instituições financeiras".

Constâncio disse que vai haver uma regulação da liquidez, da estrutura da mesma e do balanço dos bancos, além da modificação da desproporção entre os rácios de capitais dos bancos e seus ativos totais e uma maior preocupação com a regulação, que terá mesmo que "diminuir seu caráter pró-cíclico", em que concede crédito em períodos de expansão e se retrai em uma fase de crise profunda.
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