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23/11/2009 - 10h00

Carro elétrico da Renault começa a ser testado em Portugal

Lisboa, 23 nov (Lusa) - O primeiro carro elétrico que a Renault venderá no mercado rodará os primeiros quilômetros em Portugal na quarta-feira. Trata-se uma versão elétrica do Kangoo que a marca quer vender ao mesmo preço que a versão a diesel.

Ao Kangoo elétrico puxará a fila dos automóveis da marca com esta tecnologia, seguido do Fluance (que como o Kangoo parte de uma base já existente com motor térmico) e mais tarde o Twizy e o Zoe, estes dois desenhados e pensados exclusivamente para o mercado elétrico.

"A Renault vai comercializar o seu primeiro carro elétrico dentro de 18 meses. O sentido em que hoje trabalhamos é que venderemos o automóvel e a bateria será alugada, num serviço prestado pela Renault", disse à Agência Lusa o diretor de comunicação da Renault Portugal, Ricardo Oliveira.

Apesar de a bateria ser o componente tecnologicamente mais desenvolvido num carro elétrico - e consequentemente o mais caro - a Renault planeja vender o Kangoo elétrico ao mesmo preço da versão com motor de combustão a diesel.

"Para os carros que tenham uma equivalência no motor térmico, e estamos a falar por exemplo no Kangoo, venderemos o carro a um preço equivalente ao carro a diesel. Mesmo sem a bateria", disse a mesma fonte.

"Há aqui um efeito de economia de escala", explicou Ricardo Oliveira. "Anualmente vendem-se 60 milhões de carros de motor térmico. Nós sabemos que o carro elétrico não vai ter esse volume, nem pouco mais ou menos, portanto apesar de o carro ser em teoria mais barato na produção, há um efeito de volume que também vai pesar no preço inicial", completou.

A Renault conta com outro fator: a diferença de custo da utilização do elétrico em relação ao carro de motor térmico [de combustão interna]. "Meter o "combustível" - neste caso a eletricidade - torna o custo de utilização do carro elétrico cerca de 30 por cento inferior ao de um carro a motor diesel", disse Ricardo Oliveira.

Os obstáculos iniciais que o carro elétrico tem que vencer são muitos: pouca autonomia (abaixo dos 200 quilômetros), indefinição quanto aos pontos de carregamento e o preço inicial do carro são as principais críticas apontadas.

A Renault propõe três soluções para o carregamento: "o normal, que se faz em qualquer lugar onde haja uma ficha eléctrica (demora oito horas), o carregamento rápido, que implica uma infra-estrutura onde se carrega o carro em 20 minutos - com corrente trifásica e 32 amperes - e a troca de baterias numa estação de serviço em que um robô tira a bateria e mete outra carregada, em menos de três minutos", enumerou Ricardo Oliveira.

A Renault, acrescentou Ricardo Oliveira, está otimista quanto à penetração do carro elétrico em Portugal, país onde identificou uma "série de vantagens".

"É um país pequeno, em que a maioria das deslocações não implica muita quilometragem. Depois o país tem um fornecedor de energia preferencial [a EDP] que vai ajudar no desenvolvimento da infraestrutura [de carregamento]. O terceiro é a apetência que os portugueses têm pelas novas tecnologias", frisou.
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