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24/11/2009 - 11h22

Premiê português diz que Brasil virou 'peso pesado' na cena internacional

Lisboa, 24 nov (Lusa) - O Brasil é um dos "pesos pesados" da nova economia mundial que hoje emerge da crise internacional, enquanto a Espanha representa a "estrela" das relações político-econômicas com Portugal e a Venezuela é a "nova porta" de entrada para empresários portugueses.

A economia brasileira está conseguindo desafiar a crise, captar investimentos e, ao mesmo tempo, ser "um peso pesado" no cenário da política e da economia internacional.

"Este é o momento para o Brasil e Portugal", lembrou o primeiro-ministro português, José Sócrates, após audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília, em agosto deste ano.

Na ocasião, ele ressaltou as "boas vantagens que Portugal pode dar para a internacionalização brasileira" e lembrou os benefícios das parcerias empresariais.

Já a Espanha, tida pelo Banco Mundial como a décima principal economia do mundo em 2008, tem hoje uma relação de convergência política, mas também geoeconômica com Portugal, principalmente por causa de sua proximidade geográfica com o país.

Em 2005, quando Sócrates disse "Espanha, Espanha, Espanha", o governante deu as coordenadas para os empresários portugueses avançarem em direção a este país.

O número de empresas portuguesas que exportam para a Espanha supera as 5.345, enquanto as que importam se situam em torno de 15.726, segundo o Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE).

A Espanha é o principal cliente e fornecedor de Portugal, com uma cota superior a 25% do comércio bilateral.

América Latina

Com o Brasil, o saldo comercial é tradicionalmente deficitário para Portugal, mas melhorou em 2008, embora tenha caído 7,2% devido ao aumento conjugado das exportações, sobretudo de máquinas e equipamentos, e da redução das importações de combustíveis minerais.

Já a Venezuela, país onde um terço da geração de riqueza depende do petróleo, o governo venezuelano decidiu apostar na economia não petrolífera, abrindo também as portas a Portugal.

As relações políticas sempre foram boas, solidificadas pela comunidade estimada em 400 mil emigrantes portugueses.

No entanto, a criação de uma comissão mista para acompanhar a evolução das trocas comerciais bilaterais e identificar necessidades de importação por parte do Estado venezuelano aproximou ainda mais os dois países.

A base do acordo é pagar 10 mil barris de petróleo por dia para a Venezuela com exportações de produtos de Portugal (acordo que passa pela Galp e pela petrolífera venezuelana PDVSA) em parceria com o banco CGD.

O comércio bilateral tem tido pouco significado. As vendas de Portugal passaram de 9,5 milhões de euros (R$ 24,5 milhões, ao câmbio atual) em 2004 para 51,1 milhões de euros (R$ 131,87 milhões) em 2008, segundo o INE.

Porém, se o comércio com a Venezuela é pouco expressivo e o investimento é praticamente nulo, com Brasil e Espanha é diferente: a Portugal Telecom detém controle da Vivo no Brasil, onde também se encontra a Cimpor, e a Galp Energia e o grupo BES estão nos dois países.

Já Cuba aposta nas receitas do turismo, e o país foi visitado por 25 mil portugueses em 2008, enquanto a República Dominicana também impulsiona este setor, recebendo, no ano passado, milhares de cidadãos de Portugal de férias.

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