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24/11/2009 - 11h33

Contração em Portugal mantém bancos sob pressão, diz Moodys

Lisboa, 24 nov (Lusa) - O impacto do fraco ambiente econômico sobre a atividade bancária no mercado português continua a ser apontado pela agência de notação de risco Moodys, como a justificação para a nota ruim que dada ao setor.

"O fraco ambiente macroeconômico, caracterizado pela contração do PIB e pela subida do desemprego, vão afetar negativamente a qualidade dos ativos, a rentabilidade e o capital dos bancos portugueses", disse Olga Cerqueira, analista da Moodys especializada no sector bancário português, num relatório divulgado nesta terça-feira.

Além destes fatores, a agência aponta para a "persistente fraqueza estrutural", sobretudo pela "a alta exposição do risco de crédito ao risco do mercado, a forte dependência do financiamento e as questões relacionadas com a governança corporativa'", recordando que estas foram as razões para baixar os ratings (nota de avaliação) dos bancos portugueses em setembro. Com isso, a nota geral das instituições passou de "C" para "-C".

"Contudo, o nível excepcional de apoio sistêmico dado pelo Governo possibilitou aos bancos maior estabilidade nas emissões de dívida senior e dos rácios de depósitos", frisou Maria Cabanyes, vice presidente senior da Moodys.

Além disso, ela aponta para "o apoio dado pelo Governo ao seu sistema financeiro, que ficou demonstrada pela nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), pelo suporte de liquidez dado ao Banco Privado Português (BPP), bem como pelas numerosas medidas de apoio concedidas em 2008, incluindo a garantia estatal de 20 bilhões de euros para a emissão de dívida".

O relatório acrescenta que as atuais dinâmicas tornam necessárias a análise do desempenho histórico dos bancos portugueses com as previsões sobre as perdas de crédito e da performance financeira.

"Os rating concedidos na actualidade pela agência [Moodys] podem absorver perdas de crédito e writedowns [amortizações] de 12 bilhões de euros para as instituições financeiras portuguesas" contempladas pela análise num prazo de seis trimestres (até meados de 2011), destacou a instituição.

Os autores do relatório concluem que as preocupações sobre os ratings da dívida e dos depósitos de vários bancos poderão ser reforçadas caso o rating do governo for alvo de uma revisão em baixa para "Aa3" (atualmente é de "Aa2").
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