UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

24/11/2009 - 09h11

Portugal deve aproveitar melhor Macau, diz ex-governador

Lisboa, 24 nov (Lusa) - O ex-governador de Macau, Vasco Rocha Vieira, afirmou que Portugal deveria aproveitar melhor as oportunidades do território, que considerou "fundamental" nas relações entre Portugal e a China.

"Naquela zona do mundo há grandes oportunidades, e Macau é uma via para as aproveitar. Julgo que Portugal deveria aproveitar melhor essas oportunidades", disse o general Rocha Vieira em entrevista à Agência Lusa.

"A possibilidade que as empresas portuguesas tinham de ampliar os seus negócios, o seu comércio, e participar na modernização daquela zona da China e tirar daí benefícios, aumentou", acrescentou Vieira.

O último governador de Macau - que considerou que o território está "mais moderno" e que este processo "se acentuou" desde a transferência de administração de Portugal para a China - defendeu ainda o papel incontornável do território nas relações entre os dois países.

"Macau tem sido sempre uma pedra fundamental do relacionamento entre Portugal e a China. O relacionamento não seria tão forte quanto é, e quanto podia ser, se não existisse Macau", defendeu, admitindo, no entanto, que as preocupações portugueses com Macau são "secundárias".

Portugal "não é um país que possa ter uma política de todos os azimutes, tem que ter prioridades", declarou Rocha Vieira, frisando no entanto que "nós somos mais reconhecidos e mais lembrados na Ásia do que na África".

Quanto ao fato de Portugal não ter aprovado legislação que instaurasse em Macau direitos civis, como a lei da greve ou dos sindicatos, Rocha Vieira disse que tal não faria sentido porque a China não iria manter essas leis depois da transferência de governo.

"Não nos interessava aprovar às vezes, com grandes parangonas e com grandes afirmações, que fazemos tudo e somos os arautos das liberdades, se tudo isso, no dia 19 de dezembro [de 2009], deixasse de vigorar", afirmou.

"Houve pequenos aspectos que o governo de Macau gostaria ainda de ter visto resolvidos", disse Rocha Vieira, acrescentando que nas negociações do Grupo de Ligação Conjunto, que preparou a transferência para a China, Portugal se concentrou "muito na questão da [manutenção] da língua".

O ex-governador considerou, no entanto, que Portugal negociou bem com a China a transição e que "acautelou muito bem os seus interesses" e "as responsabilidades em relação à população de Macau".

Depois das negociações, acrescentou, a China concordou com a validade dos valores portugueses.

"Os portugueses fazem parte da identidade de Macau, que não seria o que é se não tivesse portugueses e se não tivesse tido a presença dos portugueses", concluiu Rocha Vieira.
Hospedagem: UOL Host