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24/11/2009 - 15h59

Relação financeira 'atrasada' limita cooperação China-CPLP

Lisboa, 24 nov (Lusa) - As relações financeiras entre a China e os países lusófonos estão "atrasadas", o que tem limitado o aumento da cooperação entre os dois blocos, defendeu nesta terça-feira a conselheira econômica da embaixada chinesa em Lisboa.

"As relações econômicas entre a China e os países lusófonos ainda se prendem ao nível das trocas comerciais e investimentos bilaterais, estando as cooperações financeiras, nomeadamente as diretas entre bancos, ainda relativamente atrasadas, o que limita o aumento da cooperação e impede o desenvolvimento rápido e sustentado da mesma", disse Xia Xiaoling.

A conselheira econômica e comercial da embaixada da China, que falava hoje em Lisboa num seminário sobre as relações entre a China e os países de língua portuguesa, lembrou que em 2007 Portugal e China acordaram a criação de uma linha de crédito de 300 milhões de euros para apoiar o aumento o aumento das exportações portuguesas para a China.

"É uma cooperação financeira a nível governamental, mas também há muito a fazer a nível não-governamental sob a forma de uma cooperação mais flexível e com produtos mais diversificados", acrescentou.

Revelou que atualmente está em Portugal um grupo de trabalho do Banco de Desenvolvimento da China para falar com representantes de bancos portugueses e com eles estudar potenciais projetos bilaterais.

Para Xia Xiaoling, as cooperações governamentais precisam também de ser "mais práticas e operacionais".

"As políticas devem ter em consideração não apenas as relações bilaterais entre a China e cada um dos países como também as políticas multilaterais entre a China e o conjunto dos países de língua portuguesa [...] para ter uma visão mais longa e ampla", disse.

No seminário, em que também marcou presença o embaixador da China em Portugal, Gao Kexiang, foi frisada a importância das relações econômicas entre a China e os países lusófonos, um mercado potencial de 250 milhões de pessoas, em todos os continentes, onde pontuam Brasil, Angola e Moçambique.

"Nos últimos anos, tem se registado uma maior aproximação no relacionamento da China com Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste. Em 2008, o volume de comércio [...] atingiu os 77 bilhões de dólares", disse Gao Kexiang.

Dados avançados no seminário dão ainda conta que, apesar dos efeitos negativos da crise mundial, nos primeiros nove meses deste ano as trocas comerciais e econômicas entre os dois blocos atingiram os US$ 43 bilhões.

Recordando a Parceria Estratégica Global Sino-Portuguesa estabelecida em 2005, o diplomata adiantou que as "relações bilaterais têm progredido significativamente" e que hoje a China "já considera Portugal um parceiro estratégico de confiança dentro da União Europeia".

Gao Kexiang destacou o empenho da China no crescimento da "cooperação de benefício recíproco" com os países lusófonos, destacando os "resultados satisfatórios" alcançados nas relações com o Brasil e as "bases sólidas de cooperação" que já foi possível estabelecer com o Timor Leste, apesar do relacionamento diplomático ser recente com este país.

Neste contexto, o embaixador chinês valorizou o papel de Macau "como plataforma de cooperação econômica e comercial" entre as duas partes.

Por sua vez, Hélder Lucas, que participou no seminário em representação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) afirmou que, depois da independência de Portugal, em alguns países africanos, a cooperação com China se converteu "num elemento do seu próprio desenvolvimento estrutural".
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