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25/11/2009 - 08h51

Crise deixa 9 mi de pessoas na pobreza na AL, diz estudo

Lisboa, 25 nov (Lusa) - A atual crise mundial levará a um aumento de nove milhões de pessoas em situação de pobreza na América Latina em 2009, prevê um relatório divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe.

Intitulado Panorama Social da América Latina 2009, o documento prevê que a pobreza na região aumente 1,1% e a indigência 0,8% em relação ao ano passado

Desta forma, o número de pessoas nessa situação deverá passar de 180 milhões para 189 milhões em 2009 (34,1% da população), o que significa que houve uma mudança na tendência de redução de pobres na região.

Entre 2002 e 2008, 41 milhões de pessoas tinham superado a situação de pobreza, graças a um maior crescimento econômico e a uma melhor distribuição da riqueza.

Contudo, esta previsão deverá atrasar o cumprimento de um dos principais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio definidos pela ONU, como a erradicação da pobreza extrema e da fome em 2015.

"Não podemos dizer que desperdiçamos os avanços que conseguimos entre 2002 e 2008. Não foram seis anos perdidos. No entanto este aumento da pobreza obriga-nos a atuar", afirmou a secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e Caraíbas, Alicia Bárcena, na apresentação do relatório, defendendo mais programas de proteção social.

A pobreza na América Latina atinge de forma mais grave as mulheres e as crianças, revela o documento, sendo 1,7 vezes mais elevada em menores de 15 anos e 1,15 vezes maior em mulheres.

As mulheres estão mais expostas à pobreza do que os homens em todos os países da região e é claramente maior no Panamá (1,37 vezes), na Costa Rica (1,30 vezes) na República Dominicana (1,25 vezes), no Chile (1,24 vezes) e no Uruguai (1,21 vezes).

A tendência ainda é pior no que respeita aos menores de 15 anos. Em todos os países da região, exceto El Salvador, a diferença de pobreza entre crianças e adultos piorou nos últimos seis anos, especialmente na Argentina, Brasil, Panamá, Uruguai e Venezuela, ainda que com variações.

No Uruguai, por exemplo, a pobreza é 3,1 vezes maior entre crianças do que em adultos, enquanto que no Chile é 1,8 vezes mais elevada e na Nicarágua 1,3 vezes.

"É urgente aplicar políticas a longo prazo dirigidas às crianças e jovens que são os futuros motores produtivos da sociedade e facilitar a inserção trabalhista das mulheres para evitar que esta situação de pobreza se perpetue", afirmou Alicia Bárcena.

Segundo o documento, o trabalho não remunerado e o cuidado de terceiros impedem a inserção laboral das mulheres o que redunda na pobreza dos seus filhos.

A Comissão Econômica para a América Latina e Caribe é uma das cinco comissões regionais das Nações Unidas e tem a sua sede em Santiago do Chile.
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