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25/11/2009 - 12h02

Indústria automobilística inicia corrida por 'motores verdes'

Lisboa, 25 nov (Lusa) - A consciência ecológica cada vez mais forte do grande público e os receios quanto aos preços do petróleo lançaram a indústria automóvel numa corrida em direção aos "carros verdes".

Eletricidade, eficiência dos motores e do combustível a hidrogênio são os três principais destinos de bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento. O objetivo é cortar emissões de dióxido de carbono, considerado o principal responsável pelas alterações climáticas.

Especialistas do setor preveem que apenas daqui a quinze anos os carros elétricos, híbridos ou a hidrogénio vão começar a ter uma cota relevante no mercado automóvel (cerca de 15% em 2025), mas isso não impede as marcas de trabalharem já para garantir um lugar no mercado que ainda está por vir.

A associação espanhola de fabricantes automóveis estima que só na Europa as marcas investiram mais de 20 bilhões de euros (cerca de 5% de seu faturamento) em inovação relacionada com o meio-ambiente.

A montadora norte-americana Ford, por exemplo, investiu entre 60% e 70% de sua verba para a área de pesquisa e desenvolvimento no eixo ambiental. Já o restante foi para os setores que até pouco tempo absorviam a maior parte dos recursos: a segurança e as novas tecnologias.

Nos próximos três anos serão lançados vários veículos elétricos - com destaque quatro novos veículos da Renault -, e híbridos e paralelamente aposta-se em novos motores de combustão com maior eficiência energética a menores emissões.

Novo motor

O grupo francês PSA Peugeot Citroen, que gastou 3,5 bilhões de euros em pesquisa no ano passado, criou um novo motor diesel que emite menos de 99 gramas de CO2 por quilômetro. Além disso, eles estão trabalhando numa nova gama de motores de segunda geração (stop/start), que a marca diz permitir uma redução de 15% nas emissões e menor consumo de energia.

No final de 2010, o grupo começa a vender o seu primeiro carro elétrico (o Peugeot Ion) e em 2011 prevê lançar um híbrido a diesel e um híbrido recarregável, com emissões de 50 gramas de CO2.

A Ford apostou nos motores de combustão alimentados a biocombustíveis: motores flexifuel, como o E85 (85% bioetanol, 15% gasolina), que a empresa diz reduzir as emissões em 80%. E está para sair também o Trifuel, um motor que será colocado no Mondeo, que rodará a gasolina, bioetanol ou gás propano líquido (GPL).

Na Renault, o rumo é outro. "Tendo em conta a conscientização das questões da poluição e de que os automóveis contribuem para o aquecimento global, e mesmo um eventual aumento do petróleo, a Renault achou que não deveria fazer um passo intermédio [híbridos] e saltar diretamente para o carro zero emissões", declarou à Agência Lusa o diretor de comunicação da Renault Portugal, Ricardo Oliveira.

"O primeiro enfoque", no entanto, "foi na otimização (redução das emissões) dos motores diesel e a gasolina. Desde há quatro anos as emissões já reduziram na ordem dos 15% a 20%. Esse é um caminho que [também] vai continuar", acrescentou.

O primeiro modelo da Renault a chegar ao mercado será o Kangoo elétrico, seguido do Fluance (que como o Kangoo parte de uma base já existente com motor térmico), e mais tarde o Twizy e o Zoe, estes dois desenhados e pensados exclusivamente para o mercado movido a energia elétrica.

A empresa também está trabalhando em carros alimentados a hidrogênio, se bem que a muito longo prazo. Mas até já existe um protótipo: o Scénic ZEV H2.
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