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26/11/2009 - 17h19

Cúpula China-UE busca 'revitalizar' parceria econômica

Pequim, 26 nov (Lusa) - Líderes da China e da União Europeia (UE) vão se reunir na próxima segunda-feira, em Nanquim, para tentar "revitalizar" uma das mais importantes parcerias econômicas do planeta e "coordenar estratégias" para sair da atual crise.

Trata-se da 12ª cúpula China-UE desde 1998, e acontece uma semana antes da Conferência do Clima, em Copenhague, que debaterá as mudanças climáticas, outro tema que o presidente da Comissão Europeia (Executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, e o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, presidente em exercício do bloco europeu, vão discutir com seus anfitriões.

"Esperamos que a cúpula permita uma aproximação de pontos de vista e que a China mostre um pouco mais as suas cartas. A ideia é chegar a acordo para agir em conjunto em Copenhague", disse à Agência Lusa o embaixador da União Europeia em Pequim, Serge Abou.

O tema da reunião é "Economia Verde, Desenvolvimento Sustentado".

Abou considera que o G20 (que reúne os países mais ricos e principais emergentes) "é um bom formato" para analisar as questões geradas pela crise econômica global e é até "mais apropriado que o G8 (sete nações mais desenvolvidas e a Rússia)".

Porém, "são os diálogos bilaterais, como a cúpula China-UE ou UE/Estados Unidos, que preparam e amplificam os consensos".

A União Europeia é o maior parceiro comercial da China, com um volume de negócios que, em 2008, atingiu cerca de 326 bilhões de euros (R$ 849 bilhões, ao câmbio atual), e, apesar de algumas divergências, as duas partes estão unidas na luta contra o protecionismo.

"Neste aspecto, há uma convergência. Como a União Europeia, a China é altamente dependente das exportações e tem necessidade de mercados abertos", disse Abou.

Pelas contas chinesas, nos primeiros dez meses de 2009, o comércio China-UE caiu 18,7% em relação a igual período do ano anterior, mas o declínio desacelerou gradualmente no último semestre, e no conjunto, as exportações dos 27 para a China baixaram apenas 3%.

Novo dinamismo

A China se tornou "um ator extremamente importante no cenário mundial", afirmou o embaixador europeu, que ressaltou que o crescimento econômico que o país asiático conseguiu alcançar este ano, acima de 8%, "beneficia toda a comunidade internacional".

"Queremos insuflar um novo dinamismo às relações China-União Europeia e dar um novo impulso à nossa parceira estratégica", afirmou.

O vice-ministro chinês das Relações Exteriores responsável pelas relações com a UE, Zhang Zhijun, vê a cúpula da mesma forma.

"Procuramos uma coordenação mais estreita acerca das grandes questões internacionais e impulsionar ainda mais as relações com a União Europeia", disse Zhijun.

A reunião UE-China, segundo Abou, vai debater também "estratégias para sair da crise".

"Já começamos a ver a luz ao fundo do túnel, mas alguns países ainda estão em recessão e há necessidade de coordenar melhor as estratégias monetárias e orçamentais", acrescentou.

Na cúpula, Durão Barroso e Reinfeldt se reunirão com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e com o presidente do país, Hu Jintao, que também é o secretário-geral do Partido Comunista.

Concorrência desleal

A super capacidade da China em alguns setores, expressamente de aço e cimento, gera "grandes tentações para praticar dumping", mas, adverte o embaixador europeu, "se houver dumping, haverá antidumping".

"As eventuais medidas antidumping respeitarão, evidentemente, as regras internacionais, mas não deixarão de ser tomadas. O dumping é o contrário do comércio justo", disse Abou.

Ele afirmou que os 27 países-membros do bloco europeu têm "investimentos extremamente importantes" na China e dirigidos quase todos para o mercado chinês.

"Muito poucas empresas europeias vêm para a China para reexportar os seus produtos para a Europa", acrescentou.

Em 2008, o investimento europeu na China somou 4,5 bilhões de euros, mais que o dobro do ano anterior, mas ficou abaixo dos 6 bilhões de euros registrados em 2006.
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