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27/11/2009 - 10h51

Cerveja Strela quer liderar mercado de Cabo Verde em 2010

Por José Sousa Dias, da Agência Lusa

Cidade da Praia, 27 nov (Lusa) - A cerveja cabo-verdiana Strela, que surgiu no mercado de Cabo Verde em 2006, há muito que ultrapassou as vendas da "portuguesíssima" Sagres e prepara-se para "roubar" o comando da Superbock, disse nesta sexta-feira o diretor-executivo da empresa que a comercializa.

Numa entrevista à Agência Lusa, o gestor e engenheiro químico português Arnaldo Rocha, diretor-executivo das empresas Ceris, produtora da cerveja, e Cavibel, distribuidora, mostrou-se ambicioso e garantiu que, em 2010, a Strela, cerveja leve e aromática, será líder de mercado.

"A Strela, neste momento, anualizado, em 2009, vai fechar o ano com 35% da cota de mercado. O que quer dizer que, este ano, nesta altura, andará a rondar os 40%. Ainda não somos líderes mas, no nosso plano, em 2010, chegaremos à liderança", frisou Arnaldo Rocha, natural do Porto, onde nasceu há 55 anos.

Segundo o diretor-executivo das duas empresas cabo-verdianas, no primeiro semestre deste ano, a Superbock continuava a liderar o mercado, com 52% de cota, com a Strela nos 35%, a Sagres nos 10% e os restantes 3% com origem nas importadas.

A Ceris e a Cavibel têm como acionista principal a espanhola Equatorial Coca Cola Botlling Company, uma "holding" formada em 25,87% pela Coca Cola Export e os restantes divididos pelas empresas, também espanholas, Cobega (60,37%), Norbega (11,76%) e Casbega (2%), que são as empresas distribuidoras, "franchisings" da Coca Cola na Espanha.

O investimento nos últimos anos, quer no controle de qualidade quer nas unidades de produção, existentes na Cidade da Praia e no Mindelo (ilha de São Vicente), rondaram os 30 milhões de euros, permitindo que, em 2010, a produção cervejeira possa aumentar dos atuais quatro milhões para oito milhões de litros/ano.

Curioso é o fato de, entre os acionistas, ainda figurar uma empresa da concorrência, a Central de Cervejas, de Portugal, situação minimizada por Arnaldo Rocha.

"A Central de Cervejas está presente há muitos anos na estrutura acionista, tem três por cento. Ainda agora houve uma assembleia-geral para aumentar o capital social e a Central de Cervejas não acompanhou. Essa porcentagem vai se diluindo e não tem já qualquer representatividade. É uma situação que vem de há muitos anos atrás, por causa da Empresa de Cervejas da Madeira, de que era acionista. Mas é uma participação simbólica", explicou.

A Strela, que já recebeu um Prêmio Internacional em Bruxelas, é um projeto novo e surgiu da compra da antiga unidade industrial da Ceris em Cabo Verde, aos anteriores acionistas, a Empresa de Cervejas das Madeira, que a vendeu ao Grupo Cobega.

"Agora, temos a unidade industrial e temos de a manter actualizada com os investimentos que estamos a fazer, num mercado que é muito competitivo, não só porque é tudo importado, mas porque há aqui a Sagres e a Superbock", referiu.

Além do mercado cervejeiro, as duas empresas tuteladas pelo engenheiro químico português já detêm 75% do setor dos refrigerantes, pois a Cavibel, como franchising da Coca Cola, tem a responsabilidade de produção e distribuição das marcas do grupo - Coca Cola, a Coca Cola Light, Sprite, Fanta e Água Tônica.

Sobre a aposta no mercado de Cabo Verde, Arnaldo Rocha destacou o potencial turístico do arquipélago, "que tem muito para evoluir", frisando que as duas empresas, ainda deficitárias este ano, passarão do vermelho para o azul em 2010 ou 2011.
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