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27/11/2009 - 08h56

Energia limpa e crise ajudam Portugal a bater meta de Kyoto

Lisboa, 27 nov (Lusa) - Dados oficiais indicam que Portugal vai cumprir as metas do Protocolo de Kyoto com uma derrapagem de apenas 5%, resultado que os especialistas também antecipam e para o qual contribui o bom desempenho da energia limpa e da indústria.

Segundo os números da Comissão para as Alterações Climáticas, estima-se que, no período de cumprimento do acordo, entre 2008 e 2012, Portugal esteja 5% acima da quantidade que lhe foi atribuída, o que equivale a emitir mais 19,91 milhões de toneladas de dióxido de carbono do que o teto de emissões de gases estufa estabelecido.

No entanto, a crise e os mecanismos de flexibilidade previstos no Plano Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) deverão permitir, segundo os especialistas, abater esta porcentagem e cumprir as metas previstas: um aumento de 27% nas emissões em comparação a 1990.

Segundo o especialista em alterações climáticas Viriato Soromenho-Marques, "Portugal vai cumprir esse objetivo não só através de medidas de redução diretas, mas através de instrumentos de flexibilidade como os mecanismos de desenvolvimento limpo - permitem a colaboração entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento - e o comércio de emissões - apenas entre países do mesmo nível".

Exemplo deste último caso foi uma compra que Portugal já efetuou de créditos de carbono da Letônia.

Francisco Ferreira, da Quercus, a maior organização ambiental portuguesa, tem a mesma opinião e acredita que o excedente de emissões vai ser abatido através do Fundo de Carbono, mecanismo que permite a Portugal adquirir créditos externos, ou seja, desenvolver projetos que reduzam as emissões num país em desenvolvimento. Assim essa redução será abatida nas emissões de Portugal.

Além disso, Ferreira considera que vão contribuir também para o sucesso de Portugal outras ações que não estão cobertas pelo PNAC, como a gestão das pastagens, que permite aumentar a quantidade de dióxido de carbono retirado da atmosfera.

Crítica

Os ambientalistas apresentam, contudo, algumas reservas, sobretudo em relação ao valor estimado (5% acima da meta), que julgam só será cumprido por causa da crise.

Também Soromenho-Marques, conselheiro do presidente da Comissão Europeia para as alterações climáticas, acredita no efeito positivo da crise, lembrando que pela primeira vez houve uma redução de 3% no consumo mundial de energia.

O bom desempenho na redução das emissões se deve principalmente à indústria, que conseguiu produzir mais com menos emissões, e ao investimento do Estado e das empresas no setor de energia limpa, principalmente das usinas eólicas, que levou Portugal para a linha da frente nessa área, explicou.

Por outro lado, Francisco Ferreira recorda outra "medida importante", que foi a passagem de centrais de carvão para gás natural, como as do Carregado e Setúbal.

O setor onde as coisas têm corrido "claramente mal" é o dos transportes, destaca Ferreira, lembrando que "a CP perdeu passageiros, não houve descida dramática do consumo de gasóleo mesmo com crise e o papel das autoridades metropolitanas de transportes tem sido zero".

A área de transportes é, aliás, o que mais aumenta - mais do que duplica - as emissões de 1990 até agora, à custa do transporte automóvel, afirmou Ferreira.

A eficiência energética nas residências e serviços também tem ficado muito aquém das expectativas, lamentou Soromenho-Marques.

A conferência de Copenhague, que acontece de 7 a 18 de dezembro, visa concluir um acordo que deve entrar em vigor antes de expirar o Protocolo de Kyoto, em janeiro de 2013, para travar de forma vinculativa as emissões de dióxido de carbono.
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