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27/11/2009 - 09h37

Timor Leste sofre com pesca ilegal por parte de estrangeiros

Díli, 27 nov (Lusa) - Mais de US$ 40 milhões é o valor estimado em perdas pelo Timor Leste devido à pesca ilegal nas suas águas territoriais por embarcações estrangeiras, enquanto os seus pescadores continuam na pobreza.

Quando o Timor Leste recebe o 1° Concurso Internacional de Pesca Desportiva, que começa nesta sexta-feira em Ataúro, o setor tradicional passa dias difíceis.

Apesar das riquezas em espécies de elevado valor do Mar do Timor, só uma ínfima parte das capturas é feita pelos pescadores do país, cujos rendimentos mal chegam para o seu sustento.

As autoridades timorenses encomendaram dois navios-patrulha com o objetivo de combater a pesca ilegal, mas o país não dispõe de uma frota pesqueira capaz de explorar esses recursos.

A atividade da pesca, que envolve famílias inteiras de comunidades costeiras, é feita ainda de forma artesanal e, em geral, por embarcações rudimentares.

As ajudas do governo, em barcos, motores, redes e outros apoios, não chegam a todos.

O rendimento é incerto e, muitas vezes não chega para o essencial, continuando a haver famílias que vivem em barracas à beira-mar, sem condições mínimas.

De acordo com dados da Secretaria de Estado das Pescas, o governo já concedeu ajudas em material a um total de 130 grupos de pesca, tendo sido entregues 46 embarcações.

Mesmo essas ajudas "não chegam para as encomendas" e muitos pescadores artesanais só conseguem ter acesso às embarcações mais rudimentares, o "ro-bero", uma espécie de canoa escavada num tronco de árvore.

José, um carpinteiro do bairro Bidau Santana, em Díli, transformou o quintal da casa num estaleiro tradicional e não lhe faltam clientes porque o barco acaba saindo em conta.

Do seu árduo trabalho manual, cobra normalmente US$ 200, conforme o tamanho da canoa e o tipo de madeira.

"A principal ciência está na escolha da árvore", explica à Agência Lusa, enquanto vai lapidando um tronco, com medições feitas "a olho", com a confiança que a experiência lhe permite.

José aprendeu a arte com pescadores de Ataúro que, desde há séculos, se pratica da mesma forma.

Luís Silva, chefe da vizinha comunidade pescatória de Metiaut, já tem barcos um pouco melhores e reconhece os apoios do governo, mas lamenta que não sejam suficientes: "quando o mar tem ondas maiores e está vento, os nossos barcos não dão para sair para a pesca", explica.

Quando regressam da pesca, entregam o que veio nas redes aos comerciantes (vendedores informais) e ainda enfrentam a concorrência de pescadores indonésios que vendem o seu peixe no Timor Leste.

São esses vendedores que transportam o peixe pelas ruas, pendurados em paus, expostos ao calor, e ficam pela cidade porque não há carros frigoríficos que leve o peixe ao interior.

Mesmo em Díli, lamenta Luís Silva, não há uma rede que permite aos pescadores armazenar nos dias em que o mar dá muito peixe, para compensar aqueles em que escasseia.

Têm de vender tudo logo, ao preço que lhes for oferecido e numa irregularidade de rendimento que dificulta o dia-a-dia das famílias.

Dá certo quando a rede traz peixe graúdo porque esse é bem pago pelos estrangeiros, que trabalham nas várias organizações internacionais.
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