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27/11/2009 - 16h48

Turismo luso prevê 50 milhões de pernoites/ano até 2015

Vilamoura, Faro, 27 nov (Lusa) - O presidente da agência Turismo de Portugal, Luís Patrão, disse, nesta sexta-feira, que deseja atingir 50 milhões de pernoites por ano no país até 2015, em comparação com os atuais 27 milhões anuais.

Segundo ele, existe nos países que circundam Portugal um total de 400 milhões de potenciais visitantes, mas é preciso apostar também em destinos mais distantes, como Brasil, China, Rússia, Estados Unidos e Índia.

O presidente do Turismo de Portugal fez as declarações ao final do segundo dia do 35º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens, que acontece em Vilamoura até domingo.

"Os nossos principais mercados são os que estão a menos de duas horas de voo, não podemos é ficar circunscritos apenas a estes", afirmou, para, em seguida, destacar a importância de trabalhar com destinos mais distantes.

Ele citou como exemplo Rússia e Brasil, país onde, esta semana, foi lançada uma campanha para atrair turistas, mas também a Polônia, uma das maiores nações europeias, assim como os mercados do Norte da Europa.

Segundo Patrão, apesar de, geralmente, serem pouco populosos, os países do Norte europeu são ricos e habitados por pessoas que viajam muito, principalmente por causa de questões climáticas, para fugir do frio.

Sobre o Brasil, país no qual a agência turística de Portugal faz uma forte aposta, Patrão disse que, apesar de seu potencial enquanto mercado emissor, o número de pernoites de brasileiros em Portugal ainda não ultrapassa 500 mil.

"Apenas 500 mil pernoites em Portugal, em um país que tem quase 200 milhões de habitantes, é pouco", afirmou o presidente do órgão de turismo, que comparou o número de diárias de turistas brasileiros no país europeu ao dos dinamarqueses.

Para Patrão, este é um número ainda pequeno para o potencial existente, já que o Brasil é um país onde a oferta pode "facilmente eclodir".

Competitividade

O presidente do Turismo de Portugal discordou também de que o país esteja perdendo competitividade e ressaltou que, em termos turísticos, a nação está "melhor que a generalidade dos destinos concorrentes".

Para o presidente da Confederação do Turismo Português (CTP), José Carlos Pinto Coelho, o país perde competitividade e é necessário adotar medidas "agressivas" para reverter o quadro, como diminuir a Taxa Social Única (TSU) e o Imposto sobre Valor Agregado (IVA).

Em resposta a estas declarações, Patrão disse que as estatísticas não comprovam essa suposta falta de competitividade e que Portugal perde menos receita do que países como Espanha.

"Estamos a atravessar uma crise financeira mundial, é natural que o turismo se ressinta, mas estamos melhor que a generalidade dos destinos concorrentes e a perder menos do que, por exemplo, a Espanha", comparou.

Segundo ele, nos últimos três anos foram investidos 600 milhões de euros (R$ 1,56 bilhão, ao câmbio atual) do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) na área do turismo em Portugal, um terço deles (200 milhões) em apoios.

"Quando o governo puder fazer deduções fiscais para tornar a oferta mais competitiva, fá-lo-á", afirmou Patrão, acrescentando que o próximo ano poderá ser o de retomada do setor turístico.

"Não estamos só à espera que isso aconteça, estamos a trabalhar ativamente, mas não depende só de nós, depende também da capacidade dos trabalhadores e energia do mercado", concluiu.
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